CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quarta-feira, 6 de junho de 2007

Um Gato das Caldas

Gato em Cerâmica
Atelier Cerâmico Visconde de Sacavém (1892-1896)

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Comentários:

Maria disse...
Ai ai, a paixão pelos gatos.........
10 de Junho de 2007 2:08

53.ª Página Caldense



A RAINHA D.LEONOR
(1458-1525)
CONDE DE SABUGOSA
[...]
"A Princezinha que certamente ignorava as proezas amorosas do turbulente D. João, a esse tempo estava em Beja, com sua mãe a Infante D. Beatriz,, ambas entregues aos aprestos para a boda.

Não revestiu esta cerimónia um aspecto aparatoso com pompas e festejos públicos. Os dois consortes eram já casados. As núpcias realizaram-se em 1472 com simplicidade, em família, entre Príncipes e gente da terra, consistindo a solenidade na entrega da noiva por sua mãe "que tudo lhe deu ao Príncipe em muita perfeição."

D. Leonor teve então os dias mais felizes da sua existência.

Era moça, e a sua formosura, que todos os contemporâneos celebram sem lisonja, trazia cativado agora o príncipe, sem que o perturbassem outras preocupações.
[...]
Em Évora decorreram esses primeiros dias, que ela ao longo da vida havia de recordar com tanta saudade."

Conde de Sabugosa (Páginas 34 e 35)

[1.ª Edição:Portugália Editora - Rua do carmo, 75, Lisboa.Data de edição: Agosto de 1921. Impressão: Imprensa de Manoel Lucas torres - Rua do Diário de Notícias, N.º 61, Lisboa. 380 Páginas numeradas + capas. Dimensão: 19,00 x 24,00 cms. 15 estampas em extratexto.]

Intimidades à Varanda

Amores, algures nas Caldas ...

[Fotografia de Margarida Araújo]
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Comentários:

Maria disse...
D-E-L-I-C-I-A É o que se chama ter a máquina mesmo a geito...
10 de Junho de 2007 2:09

terça-feira, 5 de junho de 2007

Shakespeare de Visita às Caldas

Pelas 10 horas da manhã, já tudo estava pronto para receber tão ilustre veraneante.

Shakespeare chegou; poisou os seus livros na Esplanada com o seu nome.

As Professoras Cândida Zamith e Filomena Vasconcelos, apresentaram as peças "Comédia de Equívocos" e "Ricardo II".


Os Actores

Emília Silvestre

e

Jorge Pinho

deram vida às palavras do dramaturgo.


A obra ficou para todo o sempre ...


[Shakespeare para o Século XXI - Obra Dramática Completa
Ricardo II, William Shakespeare, Introdução, tradução e notas por Filomena Vasconcelos - Campo das Letras, ISBN 972-610-555-2
Comédia de Equívocos, William Shakespeare, Introdução, tradução e notas por Maria Cândida Zamith, Campo das Letras, ISBN 972-610-840-3]

segunda-feira, 4 de junho de 2007

52.ª Página Caldense

DIÁRIO (I-VIII)
MIGUEL TORGA

"Caldas da Rainha, 1 de Setembro de 1939

O dia foram estas horas intermináveis dos tratamentos e dos arrefecimentos depois deles na sala, a ouvir a história doméstica de metade de Portugal (a outra metade já ouvi o mês passado em Monte Real). É espantosa a tendência do português para a promiscuidade! Chega a umas termas, senta-se, volta-se para o vizinho da direita e, sem dizer água vai, conta-lhe a vida. Hoje escutei tais coisas a uma viúva asmática, que me esqueci da garganta, da pneumonia possível, de tudo, e saí desvairado para a rua a encher os ouvidos e a alma da intimidade do silêncio."
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"Caldas da Rainha, 7 de Setembro de 1939

Óbidos. A quinta humana mais bem cercada que a Idade Média nos deixou."
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"Caldas da Rainha, 11 de Setembro de 1939

PAZ

Calado ao pé de ti, depois de tudo,
Justificado
Como o instinto mandou,
Ouço, nesta mudez,
A força que te dobrou,
Serena, dizer quem és
E quem sou."
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"Caldas da Rainha, 12 de Setembro de 1939

François Villon no cinema. O filme é bastante mau, mas que maravilhosa coisa é ter tido um Poeta assim! Eu cá, pelo menos, sou por ele. A roubar, a matar, a jogar às escondidas com a forca, a amar perdidas e honestas, - sou por ele. No fundo, no fundo, entre um honrado cidadão e um bandido que seja Poeta a valer, sempre vou pelo Poeta. Sempre deixa um «Testamento» depois da morte..."
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"Caldas da Rainha, 14 de Setembro de 1939

Tinha começado o dia desta maneira:

Não me digam que não, que não sou eu
Este que vive aqui ao lado dela...
Este que certo dia amanheceu
Com a luz de outra vida na janela...

E afinal acabei-o como dantes, torturado, perdido na minha solidão."
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"Caldas da Rainha, 15 de Setembro de 1939

As Fusées de Baudelaire. Decididamente, não pertenço a semelhante raça. Aquilo, de resto, não é nada, a não ser o fígado a dar sinais de si. Ao pé de um Tolstoi, de um Morgan, de um Rilke, coisas assim parecem realmente vómitos biliosos."

Miguel Torga

[Coimbra, 1995. 2 Volumes. Edição cartonada. Execução Gráfica G.C. - Gráfica de Coimbra.]

Esta página caldense é especialmente dedicada aos meus visitantes/leitores da região de Aveiro.

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Comentários:

J. Serra disse...
Magnífica descoberta essa, a de um Torga a banhos nas Caldas em 1939. Merece um Café Literário (reconstituir o ano termal nas Caldas, lembrar Torga, reler os seus poemas). Vamos a isso?
5 de Junho de 2007 0:49

Isabel Castanheira disse...
Fico muito satisfeita por te dar a conhecer um facto caldense até então desconhecido para ti.É uma boa ideia; Vamos trabalhá-la. Cafés, recordações, poesia e Torga, que falta? Isabel
6 de Junho de 2007 10:10

51.ª Página Caldense

SONETOS ERÓTICOS
Giorgio Baffo
Ilustrações de HUGO PRATT


ADOLESCENTE PORTOGNESE DA CALDA DA REINE

(No canto superior direito da página pode ler-se a seguinte inscrição: Sentimental Mood D.E. - Página 37)

[Fenda Edições.1.ª edição - 1998, Setembro. Tradução e Nota de Abertura José Colaço Barreiros. ISBN 972-9184-94-1. Tiragem de mil e quinhentos exemplares. Colecção: Fenda magnifica 1. Impresso em Milão por Grafiche Alma.]

Esta página caldense é especialmente dedicada aos meus visitantes/leitores das belas ilhas dos Açores.

domingo, 3 de junho de 2007

A Verdadeira Larva dos Livros

- Afinal, a verdadeira larva dos livros é esta.

[O Século Cómico - XXIII Ano - N.º 1168 - Segunda feira - 10 de Maio de 1920
Autor: Rocha Xavier]

Esta página é especialmente dedicada à Maria.
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Comentários:

Luis Eme disse...
Ao que parece, apesar do nome filosófico do actual presidente do conselho, a ignorância continua na ordem do dia.São as escolas que fecham; é a manipulação cada vez menos velada das noticias; é o regresso da cultura para as élites, etc.
5 de Junho de 2007 12:16

A Menina do Arco

Fábrica de Faianças das Caldas
(Fotografia PH- Património Histórico)

Esta página é especialmente dedicada ao meus visitantes/leitores caldenses.
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Comentários:
Maria disse...
Obrigada......
10 de Junho de 2007 2:12

Com os Gatos de Braçado

Os gatos de Rafael Bordalo Pinheiro
[Esta fotografia foi publicada na Ilustração Portuguesa em 1907, sem indicação de origem. Dado o facto de Rafael Bordalo Pinheiro ter vestida uma bata de trabalho, posta a habitual boina sobre a cabeça e de o cenário ser em tudo semelhante ao Parque das Faianças (em último plano não serão as paredes da fábrica ?) apraz-me de sobremaneira pensar que esta fotografia foi tirada junto às instalações da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.]

quinta-feira, 31 de maio de 2007

O Beija Mão

Ilustração de RAFAEL BORDALO PINHEIRO (pormenor)
O MOSQUITO (1875) Rio de Janeiro, Brasil

[Em 1875, Rafael Bordalo Pinheiro parte para o Brasil; a partir de Setembro começa a colaborar n'O Mosquito. Dirige este jornal de 1876 até à data do seu encerramento em 1877.]

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Comentários:
Maria disse...
Deliciosa a ilustração,deliciosa a frase...Um abraço
1 de Junho de 2007 4:12

50.ª Página Caldense

ARQUEOLOGÍA ARTÍSTICA DE LA PENÍNSULA
FRANCISCO GINER DE LOS RIOS
Obras Completas de Giner de Los Rios

Indice
Nota Preliminar

I - Espana
Mérida y Badajoz
El Real Sitio de El Prado
La Catedral Vieja de Salamanca
Los monumentos de Valladolid
La Escultura castellana
La Catedral de Avila
Monasterio y palacio de Carracedo
Santiago de Penalva
Arqueologia artística de Siguenza (Arquitectura)
El Palacio de Alcalá de Henares
Monumentos antiguos de Salamandra
La iglesia de San Millán, en Segovia
El edificio de la Universidade, en Alcalá de Henares
Una nueva joya en Toledo
La Catedral de Lugo

II - Portugal
Lisboa y sus cercanias
I. - Edificios antiguos de Lisboa
II. - Belém y Cintra
III. - Museos y colecciones artísticas de Lisboa
El monasterio de Alcobaça
El convento e iglesia de Batalha
La capilla de Caldas da Rainha - Páginas 317 a 333
La villa de Obidos

["Estas Obras Completas se editan por los discipulos y devotos del maestro, que han constituido la Fundacion Don Francisco Giner de los Rios, y el producto integro de la venta se destina a los fines de la Fundación. Adimistración: Espasa - Calpe S.A. - Ríos Rosas - Madrid". Data de Edição: 1936. 340 páginas numeradas + capas.]

quarta-feira, 30 de maio de 2007

49.ª Página Caldense

NOVO ALMANACH DE LEMBRANÇAS LUSO-BRAZILEIRO
para o anno de 1908
Parceria António Maria Pereira
Livraria Editora 1907
Director: Adriano Xavier Cordeiro (Bacharel formado em direito)
Adornado de gravuras, enriquecido com muitas matérias de utilidade pública, e com retrato e esboço biográfico do falecido caricaturista e ceramista

Rafael Bordalo Pinheiro

"Não é um morto deste ano, que, bonançosamente quis respeitar a escassa, deslumbrante, sementeira dos altos espíritos.

Há já três anos, que a tesoura avara de Atrópos cruel cortou esse vibrante fio d'arte, e, contudo, tanta grandeza do seu cadáver se evola, tão vazio deixou o seu lugar na vida, que dir-se-ia uma existência colhida ontem, pela insaciável cobiça das Parcas nunca fartas.





Da sua múltipla obra, quase tão inclassificável como um diamante facetado, escapando sempre ao contar dos seus reflexos, há, pela fatal lei humana que nos obriga, para as conhecermos bem, a alfinetar borboletas em tormentosas agonias, que classificar em resumida série, os seus melhores contornos, e é assim, que nós, confundindo, na inseparável combinação, a vida do homem com a vida da obra, encararemos sucessivamente, englobadamente por vezes, a personalidade caricaturante, ceramista e decorativa, do exímio mestre do barro frágil e policromo, do lápis gracioso e dúctil, do pano e das sedas bem armadas - o oleiro, o decorador, o caricaturista."[...]

[O artigo sobre Rafael Bordalo Pnheiro ocupa as páginas iniciais numeradas de V a XXXII, inclui duas imagens extratexto: Bordalo Pinheiro e a Jarra Beethoven.]


[Almanaque com a dimensão de 10,00 x 15,00 cms. 384 páginas numeradas + VIII de indice + CC páginas iniciais + capas. Oficinas Tipográfica e de Encadernação movidas a electricidade - Rua Augusta, 44 a 54 - Lisboa. 58.º ano da colecção.]

48.ª Página Caldense

ZÉ POVINHO
A Obra e a Vida de Rafael Bordalo Pinheiro


RAFAEL

"Rafael Bordalo Pinheiro é personalidade das mais ricas e inventivas do panorama artístico português da segunda metade do século XIX.
Caricaturista, ilustrador, jornalista, pintor e gravador, soube captar em charges sensíveis e mordazes, o perfil do mundo sociopolitico e cultural que o cercava, numa crónica apaixonada e comovente. Mais do que a simples transposição de uma ideia, a caricatura foi para Bordalo seu Norte, sua bússola, seu elo vital.

[...]

Inquieto por temperamento, impetuoso, desordenado, Bordalo ainda surpreenderia: é o Bordalo oleiro. Transpondo para o barro elementos nacionais, numa singular fabulação, ele iria inovar, a partir de 1884, a indústria cerâmica ao fundar a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, na região da Estremadura.

Sem pretender uma narração exaustiva, a exposição procura documentar os variados aspectos da produção bordaliana. É o depoimento de uma trajectória, uma tentativa de recuperar para as novas gerações o caleidoscópio fascinante de um grande criador."

Rio de Janeiro, Maio de 1990

Marco Paulo Alvim (Curador)

[Jornal com 12 páginas numeradas. Dimensão: 21.00 x 29,50 cms. Impresso a preto sobre papel de cor castanha. Edição da responsabilidade da Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro Junho-Julho de 1990 (Secretaria de Cultura da Presidência da República). Exposição comemorativa dos 115 anos parecimento da personagem na imprensa portuguesa e da vinda de Bordalo para o Rio de Janeiro.]


O gato de Rilke

CARROSSEL E OUTROS POEMAS

RAINER MARIA RILKE

GATO

Gato de luxo, alma de quem vem
a tanta coisa esparsa um sonho lentamente,
e que se presta, consciência-mãe,
a todo um mundo inconsciente.

Silêncio quente e bravio que dá leis
a tal mutismo mutilado,
a encher de orfandade as coisas, eis
um altivo desdém acariciado...

Adormece com ar integral
entre faianças, dourados e cristais,
que o triste desenho em suas fendas mais
se diria assiná-lo a má sorte magistral.


Rainer Maria Rilke



[Organização e tradução de Vasco Graça Moura com dez desenhos de Júlio Resende. Edições Asa, 1.ª Edição, Junho de 2004. ISBN 972-41-3722-8. Edição cartonada com contracapa.]