CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



segunda-feira, 30 de abril de 2007

28.ª Página Caldense

Relatório sobre o Caminho de Ferro das Caldas
à Foz do Arelho
e Iluminação Eléctrica das Caldas da Rainha
Sobre estudos do engenheiro Tigueiros de Martel

Considerações Gerais

"A 10 kilómetros de distância das Caldas da Rainha há uma lindíssima praia denominada a Foz do Arelho. N´uma situação única no país, junto da lagoa d'Óbidos de margens encantadoras muito ricas em caça. Goza do privilégio excepcional de oferecer aos banhistas a escolha entre a onda forte do Oceano e o remanso da lagoa que comunica largamente com o mar e cuja água é portanto salgada e límpida.

A lagoa é muito piscosa prestando-se admiravelmente ao desenvolvimento d'esse sport bem como à cannotage, regatas, natação, etc. apresentando uma área de cerca de 4 kilometros quadrados.

O pitoresco da lagoa com os seus braços caprichosos, o aprazível das suas margens, os pontos de vista, o vasto horizonte marítimo, os pinhais, a proximidade das excelentes Termas das Caldas da Rainha cujas águas sulfúricas dão óptimos resultados nos tratamentos do reumatismo, gota, etc., devem necessariamente atrair a esta região muitos turistas, valetudinarios etc., bem como os capitais para construção de vilas e chalets se entre esta praia e as Caldas houver um meio de transporte rápido, cómodo e económico."[...]


[Dimensão 15 x 22 cms. 21 páginas numeradas + capas. Imprensa Africana, Rua de S. Julião, 58 e 60 - Lisboa. Data de Edição: 1904.]

27.ª Página Caldense

Caldas da Rainha (Portugal)
Eaux Sulfureuses * Centre de Tourisme * D'art et d'Histoire
1934

"A estância termal das Caldas da Rainha é das mais importantes de Portugal. O seu balneário, instalado dentro de uma pequena cidade duns 8 mil habitantes, a cerca de 100 quilómetros de Lisboa, a que a ligam comboios cómodos e excelentes estradas, é enorme e com boas instalações, estando a sofrer grandes modificações que o vão tornar um dos melhores balneários de águas sulfurosas que se conhecem."[...]







«Assinaturas do Provedor do Hospital e dos engenheiros que dirigiram a reconstrução por ordem do rei D. João V, num documento existente no arquivo do Balneário.» [Página 14]









[Folheto com as dimensões de 16 x 23 cms. 24 páginas numeradas + capas. Texto bilingue: Português-Francês. 19 imagens. Impresso na Tipografia Caldense, Caldas da Rainha]

Café Literário

Lídia Jorge
Café Literário - 27 de Abril de 2007

domingo, 29 de abril de 2007

26.ª Página Caldense

ASSOCIAÇÃO DE PROPAGANDA E DEFESA DOS INTERESSES DAS CALDAS
Informador dos Amigos e Visitantes das Caldas da Rainha
Caldas da Rainha de Portugal


A CIDADE DE CALDAS DA RAINHA FAZ 20 ANOS

"Em 1927, o Governo elevou, por decreto, a vila de Caldas da Rainha à categoria de cidade, reconhecendo desse modo o esforço progressivo dos caldenses e as qualidades duma terra que, pelo seu comércio, pela sua agricultura, pelo seu valor termal e turístico, obteve sem dificuldade, esse justo galardão.

Caldas da Rainha ascendeu, assim, e mui justamente, ao lugar de única cidade da Estremadura, que hoje é, depois de Lisboa, capital do Império, e de Setúbal, cabeça de distrito.

A plêiade e homens que, para a consecução desse objectivo tanto contribuiu, e aos que, sucedendo-lhe têm sabido mante-la em tão honrosa categoria. Caldas tributa, reconhecida, uma homenagem e uma gratidão bem merecidas, e recorda a união de todos os caldenses que, isenta de perniciosos parcialismos, foi a grande razão de ser da decisão do Governo.

Em 1947, vinte anos depois, Caldas da Rainha, outra vez unida, vai comemorar, condignamente, a data de 26 de Agosto e espera que, como em 1927, uma nova fase da sua vida se inicie, ainda mais fortemente progressiva e cada vez mais digna da brilhante posição que o povo caldense para si soube conquistar."


[Folheto de 2000 exemplares, impresso na Minerva Caldense em 1974. Dimensões: 13,80 x 21,00 cm. Tem a particularidade de as suas páginas serem aparadas em recorte. Impresso a castanho, texto e imagens. Incluí 25 páginas de publicidade, num total de 50 páginas não numeradas.]

Breve Pausa


"Criei-me entre livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro ainda conservo nas mãos."
Riuz Zafón
A Sombra do Vento, Publicações Dom Quixote
1.ª Edição, 2004
ISBN 972-20-3230-5

25.ª Página Caldense

CALDAS DA RAINHA
(Roteiro-Guia)
Edição da GAZETA DAS CALDAS", 1926



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"Se um dia Portugal for feito em torresmos por um sol de rachar, será nas Caldas da Rainha que escaparão os raras sobreviventes destinados a levar ao futuro a notícia de que existiu neste mundo uma raça que se chamou portuguesa."

Pinheiro Chagas

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"A linda vida das Caldas da Rainha é o centro da vilegiatura que em Portugal mais se parece com as terras francesas e alemãs."


Ramalho Ortigão
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"É a estância mais frequentada do país."


Dr. Tenreiro Sarzedas
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"O clima das Caldas é muito agradável . A sua temperatura média durante a estação balnear é de 20.º."


Dr. Alfredo Luiz Lopes


[Impresso na Tipografia Caldense - Rua José Malhoa, 9 e 11 - é publicado pela Gazeta das Caldas, Jornal Regionalista, cujo director é António Leitão. Folheto de 13,80 x 22 cms. Capa com uma cor. Inclui um mapa desdobrável. Contem 16 imagens a preto e branco e uma página de extra-texto reproduzindo o quadro de José Malhoa, "Rainha D. Leonor de Lencastre".]

sábado, 28 de abril de 2007

24.º Página Caldense

Caldas da Rainha

"Quem não conhece esta linda e acolhedora cidade, rica de atractivos, dotada pela Natureza com todas as condições de agrado?!

Autêntico caleidoscópio, variando a cada instante de motivos que nos prendem, que nos cativam, que nunca mais nos esquecem e, pelo contrário, recordamos a cada instante, com saudade.

Por curiosidade, experimentem dobrar pelo meio, um mapa de Portugal e verão que a linha dessa dobra passa pelas Caldas da Rainha.

Caldas da Rainha é portanto, o centro, o «Coração de Portugal», o ponto ideal para base das vossas Férias, seja qual for o prisma porque encaremos o problema.



«Centro da mais artística e da mais pitoresca região de todo o País», como afirmava Ramalho Ortigão, é também o único recanto de uma frescura aprazível, quando a canícula esbraseia todo o resto da Península.

Estância «Chic» desde sempre, onde os Reis tinham o seu Palácio de Verão, por aqui passaram quase todos, desde D. Leonor, sua Fundadora, até D. Manuel II.

As velhas árvores da Mata e do Parque ocultaram muita aventura galante e muita intriga política.

Muitos Reis deixaram vincada a sua passagem, com melhoramentos no balneário e na cidade, destacando-se dentre eles, o Rei Magnânimo que restaurou o Balneário e construiu o actual edifício da Câmara e os chafarizes.

Da quietude repousante dos velhos plátanos e ulmeiros, do perfume das suas tílias, da poesia do seu Lago esverdeado, emoldurado de choupos e chorões, em cujas águas deslizam, em promiscuidade, lado a lado, os barcos de recreio e os cisnes, majestosos, dum branco imaculado, todos vos podem falar." [...]

[Folheto com seis páginas em harmónio. 12 imagens coloridas, sendo 3 assinadas por Leonel Cardoso e datadas de 1970. Sem indicação de responsável de edição. Sem data. Dimensão: 12,50 x 18,00 cms.]

23.ª Página Caldense

A LOUÇA DAS CALDAS
Publicação feita por um grupo de amigos de
Rafael Bordalo Pinheiro








Dedicatória na folha de rosto:



"Ao seu Amigo José António de Freitas, o seu amigo muito agradecido, Rafael Bordalo Pinheiro, Lisboa, Outubro de 1899"






"Se algum importante acontecimento deve assinalar a história da arte portuguesa no presente século, é ele por certo o vigoroso impulso dado à cerâmica pelo talento de Rafael Bordalo Pinheiro." [...]

[Folheto com 24 páginas numeradas + capas. Dimensão: 11,50 x 17,00 cms. Impresso na Typ. da Companha Nacional Editora, Largo do Conde Barão, 50 - Lisboa. Data de edição: 1899]

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Breve Pausa

"Mulheres e livros, história de uma afinidade secreta."

Laure Adler




A escrita é uma paixão violenta e quase indestrutível."

Georges Sand

quarta-feira, 25 de abril de 2007

22.ª Página Caldense

Almanaque de Caricaturas
2.º Ano - 1875

Rafael Bordalo Pinheiro


[Almanque com 64 páginas numeradas, sendo a capa a cores. Formato: 14,20 x 20,60 cms. Edição da Livraria Editora - Praça de D. Pedro V - n.º 68, Lisboa. Preço 200 Réis]

[Páginas 20 e 21]

21.ª Página Caldense

Portugal Amordaçado
Depoimentos sobre os anos do fascismo
Mário Soares
Editora Arcádia - 1.ª Edição em português 1974

[1942]

“À noite, sem luz (a Foz do Arelho não tinha ainda luz eléctrica nem água canalizada), íamos à escola oficial onde o professor primário tinha o único rádio da terra, ouvir às escondidas a B.B.C. Nesse tempo, ouvir a B.B.C. era um crime de lesa-majestade, que comportava sérios riscos… Crime, aliás que todo o Portugal cometia!

Não resisto a referir um pormenor dessa escola: tinha sido construída num estilo neo-clássico, de gosto muito duvidoso, pelo velho Grandela, republicano dos quatro costados, dos tempos heróicos da Propaganda, que havia feito da Foz do Arelho seu feudo, até com o arremedo de um castelo pseudo-medieval, onde hoje se encontra – sinal dos tempos! – instalada a F.N.A.T.

Na sala de aula, por determinação do doador, existia um grande painel de azulejo, alusivo à implantação da República, exibindo alguns dos seus grandes vultos e, entre eles, Afonso Costa.

Durante a guerra de Espanha, fora completamente picado e destruído pelos fascistas das Caldas da Rainha que não podiam sofrer que perdurasse semelhante desaforo a perturbar a inocência das criancinhas! O professor primário, todos os dias, nos mostrava a parede, apontando o vazio deixado pelo painel - vexatório sinal da derrota na nossa guerra...

A Foz do Arelho era uma praia pacata, com umas escassas dúzias de veraneantes certos, que se conheciam todos, ao menos de vista. Lá estavam sempre presentes, cada ano, o meu mais tarde colega, Paradela de Oliveira, fadista de estilo coimbrão, de privilegiada garganta; o médico de Vila Franca, dr. Jana, que havia estado preso «in illo tempore», a família Maldonado Freitas, que mantinha galhardamente, na região, a legitimidade republicana e anticlerical; e alguns mais...

No lado oposto - separado por um fosso moral intransponível, vera imagem do País dividido! - estavam certas famílias ditas «bem», os Almeida Araújo, os Cazal Ribeiro, os Paiva, fidalgotes por linha bastarda, feminina, de quem a maior parte dos camponeses da região continua a ser foreira, e, ainda, um pequeno grupo de jovens nefelibatas, muito beatos mas de audaciosas concepções (para a época!) em outras matérias a que pertenciam o Constantino Varela Cid, o poeta Ruy Cinatti e José Venâncio Paulo Rodrigues que anos depois seria Subsecretário da Presidência, a «lapiseira de Salazar»!
[...]
Mário Soares
[Páginas 31, 32 e 33]

20.ª Página Caldense

Galeria Republicana
Editor e Proprietário: João José Batista
Director: Magalhães Lima
Colaboradores: Augusto Rocha, Alexandre da Conceição, Alves da Veiga, António Furtado, Anselmo Xavier, B. Machado, Costa Goodophim, Gomes Leal, G. Benevides, José J. Nunes, J.M. Latino Coelho, Reis Dâmaso, Rodrigues de Freitas, Silva Graça, Silva Lisboa, Teixeira Bastos, Teófilo Braga, Trigueiros de Martel
Fotografias de António Maria Serra
Número 11 – Junho de 1882 – 1.º Ano

Rafael Bordalo Pinheiro


"O Século, folha republicana, que tenho a honra de dirigir desde o primeiro número, apreciando não há muito ainda, a poderosíssima organização de Rafael Bordalo Pinheiro, escrevia o seguinte:

“Assim como na banalidade politica portuguesa há a figura grotesca e eco de Arrobas, o tigre, no jornalismo peninsular há figura eminentemente viva, original e cintilante de Bordalo Pinheiro, um artista, que vale um exército, um propagandista que vale uma revolução. Bordalo Pinheiro é para a sociedade portuguesa contemporânea o que Tácito foi para o império romano, quer dizer, o seu cronista mais justo e mais indignado. Há no poderoso temperamento deste artista a nota alta e vibrante, que faz lembrar as cóleras de Danton e a eloquência de Vergniaud. È assombroso e é único.

“Cada caricatura deste artista é um grito de revolta contra a conspiração secular do espírito monárquico – fradesco, que fez de Portugal esta nação mole e incaracterística, sem vida, e sem alma, que aí anda à matroca no grande mar da civilização europeia, sem rumo e sem individualidade. Bordalo Pinheiro vinga-nos de toda a esta espantosa decadência, demonstrando quotidianamente, pelas cintilações do seu génio artístico, o que pode ser para a elevação da alma d’um povo um espírito vigoroso e fecundo.

“Bordalo Pinheiro é como artista um revolucionário e como revolucionário um criador.

Com a transcrição destas linhas, quero de antemão, significar aos que me leram que não é meu intuito desenhar aqui o perfil literário de Bordalo pinheiro, mas unicamente criticá-lo sob o ponto de vista revolucionário e demolidor. Será essa a minha missão como homem politico que sou, e é esse também, em meu juízo, o alvo a que certamente mira a Galeria Republicana: - aproveitar dos biografados tudo quanto eles têm produzido de útil e de salutar em favor do ideal moderno, isto é, em favor da justiça e da democracia.

Bordalo Pinheiro e, acima de tudo, um republicano. As suas obras são justamente colossais, pela verdade que encerram e pelo ideal que as inspira. Podia Bordalo Pinheiro ser um sectário ferrenho do monarquismo ou do clericalismo; os seus trabalhos haviam porém, de ressentir-se naturalmente de uma falsa noção de arte, como falsa e mentirosa é também a doutrina monárquica e clerical; o seu génio amortecia irremessivelmente, e a sua faculdade inventiva estiolaria, sem dúvida, à mingua de seiva e de vibração cerebral.

Considerando-se assim, o nosso intento é evidentemente prestar uma homenagem decidida e sincera ao primeiro demolidor português e ao mais ardente e terrível propagandista dos princípios democráticos entre nós.

Insistamos na frase acima transcrita, porque nunca se perde em insistir na verdade: “Bordalo Pinheiro é como artista revolucionário e como revolucionário um criador”.


Data do Calcanhar de Aquiles a celebridade de Bordalo, como o único e já agora inimitável criador da caricatura em Portugal. Na sociedade Portuguesa o seu lugar é perfeitamente correspondente aos ocupados no estrangeiro por Cham, por Gill, por Ortego, por Henry Monier, por Cruiskshand. Em abono da verdade, seja-nos licito notar que, relativamente ao meio, em que vive é a escassez de elementos estéticos, que o rodeiam, Bordalo é superior a qualquer dos supra mencionados artistas, não só pela delicadeza do traço como pela exactidão dos desenhos, não só pela concepção, perfeitamente genial, que preside a todas as suas obras arrojadíssimas, como elo ideal de justiça e de verdade que, em tudo e por tudo, transparece nos seus trabalhos monumentais.

“Depois de alguns meses de correrias artísticas por terras de Espanha – refere conceituadamente o seu inseparável e único companheiro, Guilherme Azevedo – adormecendo ao som de malagueñas e acordando ao ruído das fuziladas, Bordalo Pinheiro volta a Lisboa e desenha então A Lanterna Mágica em que as suas supremas qualidades de caricatura se acentuam definitivamente.

“Da mesma forma que Henry Monier criada em França, dando-lhe formas lineares, sensíveis, o tipo de Joseph Prudhomme, a encarnação do espírito constitucional e burguês da França, Rafael Bordalo cria na lanterna Mágica, o Zé-Povinho, a representação simbólica da ingenuidade lorpa da sua terra.

“Isto é, Bordalo Pinheiro, achara, como um supremo artista, a fórmula exacta, representativa do estado social e político de Portugal, da mesma forma que Henry Monier, achara a da França”.

Da vastíssima galeria de tipos, criados e iluminados pelo lápis cintilante e sempre fecundo de Bordalo Pinheiro, é seguramente Zé-Povinho, um ingénuo, um eterno explorado pela corrupção monárquica e clerical do nosso tempo, o tipo mais completo e mais bem acabado. Zé-Povinho, na sua encarnação lorpa e boçal, não é apenas uma figura qualquer, feita para despertar o riso e a gargalhada das multidões. Longe d’isso, ele por si personifica uma sociedade aviltada pela opressão dos grandes e dos poderosos em que o abuso é lei, a imortalidade norma de vida, e a ignorância e a miséria o único fim dos governos, quer há perto de sessenta anos nos tem espoliado e escravizado em proveito da cúria romana ou do estrangeiro.

Bordalo Pinheiro, criando este admirável tipo, fazendo girar todos os acontecimentos nacionais em redor d’um personagem, tão profundo de verdade como generoso e grande nas intenções e no espírito, provocou por si a anarquia no existente e proclamou bizarramente o realismo na arte e a dignidade na politica.

É por isso que o António Maria e o Álbum das Glórias, são hoje das publicações mais notáveis do mundo – precisamente porque representam uma obra justa, uma obra verdadeira, uma obra humanitária, uma obra de emancipação política e social. E por isso é também, que o povo – a grande massa produtora e trabalhadora por excelência – consagra a Bordalo pinheiro a mais viva simpatia e o mais desinteressado entusiasmo – precisamente porque ele é apostolo sincero de uma causa santa, e porque é o campeão audacioso dos seus direitos ultrajados e das suas liberdades escarnecidas. Mais tarde, quando a história, no seu juízo recto e inflexível, tomar conta d’esta época, há-de apurarem Rafael Bordalo Pinheiro uma consciência altiva, um espírito soberano, que soube compreender, identificando-se com eles, o ideal dos que sofrem e a aspiração dos que anseiam por um reinado de luz e de bem estar social. E nem mais é preciso para a imortalidade de um artista ante a história e ante a consciência humana! Bordalo Pinheiro conseguiu já o que a poucos tem sido dado conseguir na vida –o ser um imortal perante as gerações presentes e futuras!...

A caricatura no desenho, como a ironia na literatura, como a opera cómica no teatro é perfeitamente do nosso meio e do nosso tempo. Rafael Bordalo é, sobretudo, um artista de uma actualidade palpitante; vivo, rápido; originalíssimo na conversação, amando por igual o imprevisto e o extraordinário, de uma dedicação única, como amigo e como companheiro. É um intransigente, que procura satisfazer a sua consciência, pondo procura satisfazer à sua consciência, pondo invariavelmente de parte os seus interesses e as suas conveniências pessoais. Foi por isso que no Brasil não fez fortuna, e é por isso que em parte alguma do mundo logrará fazê-la, estou convencido.

Impressionável por temperamento, como todo o artista, há nele todavia um traço que o caracteriza salientemente – a compreensão nítida dos seus deveres, como homem e como revolucionário. Para Bordalo, assim como para nós outros, os republicanos, há princípios que se defendem e injustiças que se combatem. E neste sentido, por tal forma ele tem preenchido a sua missão na sociedade portuguesa que conseguiu já ser um homem temido e perigosíssimo, o máximo a que se pode aspirar num pais, bestializado pelo fanatismo religioso e nunca assaz explorado pelos comilões do orçamento monárquico…

Muito ao correr da pena ai fica um dos traços fisionómicos deste grande revolucionário, deste eminente artista, tal e qual o fantasiámos na nossa humildade politica. Não nos pertence a nós certamente o encará-lo por outro lado diverso do que aquele por que o fizemos nesta ligeira apresentação. Escritores abalizados se têm ocupado d’ele com respeitosa admiração. Pertence a história de todos os povos. O que d’ele se tem escrito é nada, relativamente ao que do seu extraordinário trabalho está ainda por escrever.

No dia 13 do corrente mês faz três anos que O António Maria, o valente soldado da revolução portuguesa, saiu pela primeira vez à luz da publicidade. Cabe-nos deste modo a honra de enviar d’aqui d’envolta com a nossa saudade profundíssima por Guilherme de Azevedo, um cronista inimitável e um amigo nunca esquecido, as nossas mais ardentes felicitações ao nosso querido amigo, ao grande e benemérito artista Rafael Bordalo pinheiro. – Que ele as recebe tão sinceras, como sincera é a admiração que lhe consagramos."
Magalhães Lima


[Este texto apresentado a 3 colunas, ocupa a página de rosto e a segunda página. Colocado a meio da página de rosto, uma fotografia de Rafael Bordalo Pinheiro, colada. Cada número deste jornal – dos que nos foi dado consultar – anos de 1882 – 1.º ano e 1883 – 2.º ano, é composto por quatro páginas, todas elas com uma cercadura rectangular que apresenta aos cantos elementos de fantasia decorativa. Dimensão: 25 x 33 cms. Nos exemplares consultados existe uma página de rosto anual para cada ano.]

19.ª Página Caldense

Caldas da Rainha
Rainha das Termas de Portugal

Estância termal * Águas Sulfúreas-calcárias * Arte e História
* Centro de Turismo * Belezas Naturais

"Se há terra em Portugal cuja fama corra de norte a sul, seguindo a costa e os rios, galgando os montes e penetrando nas aldeias mais escondidas, deixando por toda a parte gratidão e a lembrança de bons dias passados; se há vila que seja conhecida nos recantos das mais afastadas províncias, deixando ignoradas outras vilas e cidades; se há estância balnear que encontre fiéis espalhados por uma área que não conhece fronteiras e se estende através dos mares, essa terra são as Caldas da Rainha.

Talvez não haja em Portugal muitas freguesias donde não tenha vindo ao menos uma pessoa banhar-se nas suas águas sulfúreas, aproveitando as regalias que a fundadora do balneário, a Rainha D. Leonor de Lencastre, estabeleceu com o seu Compromisso, e que, desde o século XV têem tornado as Caldas da Rainha o centro da cura onde convergem os reumáticos, os encatarrados, os doentes de pele, que de toda a parte vêem aqui procurar a cura que noutros lados não conseguem." [...]

[Pequeno folheto com as dimensões de 12,30 x 15,80 cms. Fotografias dos Ateliers Marques Abreu. Impresso na Avenida Rodrigues de Freitas, 310 - Porto (Imprensa Marques da Silva Lda). Data de Edição 1927. 62 Páginas numeradas + 14 páginas de anúncios.Capa Impressa a cores.]

18.ª Página Caldense

Caldas da Rainha
A mais frequentada estância balnear de Portugal
Centro de Turismo Incomparável

"A circunstância porém que dá às Caldas da Rainha a sua grande superioridade sobre todos os lugares de vilegiatura, ainda os mais afamados em Portugal, como Sintra, como o Bussaco, como o Bom Jesus de Braga é que esta vila é o centro da mais artística, da mais pitoresca região de todo o País."
Ramalho Ortigão

[Pequeno folheto com as dimensões de 12 x 20 cms. 14 páginas numeradas. Capa impressa a azul. 12 imagens. Impresso na Tipografia Caldense, em Caldas da Rainha. Editado em 1933]