CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quarta-feira, 25 de abril de 2007

19.ª Página Caldense

Caldas da Rainha
Rainha das Termas de Portugal

Estância termal * Águas Sulfúreas-calcárias * Arte e História
* Centro de Turismo * Belezas Naturais

"Se há terra em Portugal cuja fama corra de norte a sul, seguindo a costa e os rios, galgando os montes e penetrando nas aldeias mais escondidas, deixando por toda a parte gratidão e a lembrança de bons dias passados; se há vila que seja conhecida nos recantos das mais afastadas províncias, deixando ignoradas outras vilas e cidades; se há estância balnear que encontre fiéis espalhados por uma área que não conhece fronteiras e se estende através dos mares, essa terra são as Caldas da Rainha.

Talvez não haja em Portugal muitas freguesias donde não tenha vindo ao menos uma pessoa banhar-se nas suas águas sulfúreas, aproveitando as regalias que a fundadora do balneário, a Rainha D. Leonor de Lencastre, estabeleceu com o seu Compromisso, e que, desde o século XV têem tornado as Caldas da Rainha o centro da cura onde convergem os reumáticos, os encatarrados, os doentes de pele, que de toda a parte vêem aqui procurar a cura que noutros lados não conseguem." [...]

[Pequeno folheto com as dimensões de 12,30 x 15,80 cms. Fotografias dos Ateliers Marques Abreu. Impresso na Avenida Rodrigues de Freitas, 310 - Porto (Imprensa Marques da Silva Lda). Data de Edição 1927. 62 Páginas numeradas + 14 páginas de anúncios.Capa Impressa a cores.]

18.ª Página Caldense

Caldas da Rainha
A mais frequentada estância balnear de Portugal
Centro de Turismo Incomparável

"A circunstância porém que dá às Caldas da Rainha a sua grande superioridade sobre todos os lugares de vilegiatura, ainda os mais afamados em Portugal, como Sintra, como o Bussaco, como o Bom Jesus de Braga é que esta vila é o centro da mais artística, da mais pitoresca região de todo o País."
Ramalho Ortigão

[Pequeno folheto com as dimensões de 12 x 20 cms. 14 páginas numeradas. Capa impressa a azul. 12 imagens. Impresso na Tipografia Caldense, em Caldas da Rainha. Editado em 1933]

17.ª Página Caldense




Caldas da Rainha

(Distribuição gratuita)

J. A. Ferreira Madail

Typ. da Empresa da História de Portugal

1909






"A Vila"

"Origem - Os grandes privilégios concedidos aos colonos deram os naturais resultados, e a par do hospital, fundou-se a vila.

Foi pois o Hospital Real no núcleo fundamental da povoação; à sombra d'ele vieram as primeiras trinta famílias que no local se fixaram durante a construção do edifício, à sombra dele medrou e cresceu a vila, e vive ainda hoje uma grande parte dos seus habitantes.

Em volta do hospital evolveram-se os primeiros lineamentos da povoação: d'ali irradiou e alastrou depois; lentamente, passo a passo, ao princípio e até à construção da linha férrea do Oeste, que a serve, e muito mais rapidamente, depois.

Hoje conta 4.639 habitantes.

A primeira rua foi denominada a Rua Nova e tinha começo junto ao hospital, no largo da Copa, hoje Largo Rainha D. Leonor.

As primeiras casas foram edificadas em terrenos pertencentes ao hospital e dados de aforamento aos colonos.

Esta rua já hoje não tem, infelizmente, a mesma denominação.

E digo infelizmente porque nunca as vantagens da mudança d´estas nomenclaturas compensam os grandes inconvenientes a que muitas vezes dão lugar.

Por isso entendo que não devem ser alteradas, a menos que para tal militem ponderosas razões, e nunca quando sejam elementos curiosos para a história das povoações.

Estão neste caso as primeiras ruas que se traçaram e onde viveram os primitivos habitantes.

A povoação assim criada, recebeu o título simplesmente de Vila."


[Pequeno livro com as dimensões de 11,50 x 18 cms, 72 páginas numeradas, incluindo 21 imagens. O tema é tratado em 3 capítulos: Hospital Real / A Vila / Arredores. Mapa incluído no final do texto.]

16.ª Página Caldense







Crítica de Circunstância

Luiz Pacheco

Editora Ulisseia

Colecção Vária, n.º 6

1.ª Edição, 1966

“O CACHECOL DO ARTISTA”





[…]"O ARTISTA PRECISA DE UM CACHECOL

Pode ser que conheças, Leitor, qualquer artista na necessidade: não o desampares, muito especialmente por estes dias de Inverno. E não conhecendo, e querendo, não faças cerimónia: manda o que quiseres.

Aceitamos tudo:

Dinheiro, cigarros, fatiota, roupas de cama, mercearias, BACALHAU, brinquedos, livros, esferográficas, papel de máquina, vitaminas, uma corneta (para eu tocar num dia que cá sei), viagens pelo continente, estadias em casas de muito sossego, garrafas de vinho, revistas com nus (são para mim), um casaco de abafar (é para a minha senhora), pastéis de nata, salsichas, passas e nozes, tâmaras, um osso com tutano para o caldo da Gèninha, lâminas de barba, o perdão das nossas dívidas, uma assinatura do Jornal de Letras e Artes (minha leitura predilecta), bolo-rei, bolsa da Gulbenkian (proposta: uma biografia de Bocage), uma caixa de bombons, passarinhos assados, orelheira de porco, latas de conserva (gostamos de qualquer marca), etc., etc., etc.

O Artista agradecido
Luiz Pacheco

Sua casa: R. RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO n.º 2, r/c – CALDAS DA RAINHA”

[Página 144]

Esta informação foi recolhida de um exemplar cedido pelo amigo Jaime Neves. Os meus agradecimentos.

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Comentários:

Maria disse...
Luiz Pacheco e outros Luises daí de Caldas (ou que estão em Caldas) - frequentadores do Café Central e, nas noites de convívio, do Inferno d'Azenha...Algumas das criancinhas de que ele fala conheci-as na barriga da mãe...
26 de Abril de 2007 20:07

terça-feira, 24 de abril de 2007

Festa na Rua

Antecipámos a celebração do Dia Mundial do Livro para sábado, dia 21.

Na nossa "Esplanada Literária", reunimos vários autores caldenses.

Neste dia, que é também o dos Direitos de Autor - 11 autores da escrita e da imagem - deram-nos o prazer da sua companhia
Historiadores, ficcionistas, poetas, fotógrafos, contistas, conviveram sob um quente sol de primavera.
Na companhia de Cristina Horta, Hugo Marques, Isabel Gouveia, Isabel Xavier, João B. Serra, João Norte, José do Carmo Francisco, Margarida Araújo, Mário Tavares, Paulo Ferreira Borges, Teresa Perdigão e Vasco Trancoso, mais uma vez, partilhámos letras com a cidade.

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Em simultâneo, na rua decorria festa, promovida por um grupo de comerciantes.


Gil Vicente, escritor de mil palavras, dava rosas (preferencialmente vermelhas).

D. Leonor, a Rainha das Caldas, oferecia "beijinhos".

Cavaleiras/os, cujo patrono é S. Jorge, evoluíam em passos galantes;
Por um dia a cidade transfigurou-se. Fez-se festa. Desfrutou-se a rua. Viveu-se a cidade.

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"Agora direis que sou doido com as coisas da minha terra. Assim é, senhores, eu o confesso."
Cavaleiro de Oliveira

segunda-feira, 23 de abril de 2007

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Os Direitos Inalienáveis do Leitor

1
O Direito de não Ler
2
O Direito de Saltar Páginas
3
O Direito de não Acabar Um Livro
4
O Direito de Reler
5
O Direito de Ler não Importa o Quê
6
O Direito de Amar os Heróis dos Romances
7
O Direito de Ler não Importa Onde
8
O Direito de Saltar de Livro em Livro
9
O Direito de Ler em Voz Alta
10
O Direito de Não Falar no que se Leu

[Daniel Pennac - Como Um Romance
Edições Asa, ISBN 972-41-2969-1]

quarta-feira, 18 de abril de 2007

15.ª Página Caldense

CAVACOS DAS CALDAS
Caldas da Rainha, 15 de Julho de 1897 - N.º 24
Publicação semanal

[...]
"Nem menos de 5 negociantes turcos se acham temporariamente aqui estabelecidos, fazendo concorrência ao comércio e industria caldenses.

Esses comerciantes e industria lamentam-se, chorando-se pelos prejuízos que sofrem com aquela concorrência, e mais nada.

Quem é que diz lá que se unem para evitar os seus próprios males?

E tudo assim caminha nas Caldas. Nós já tivemos o supino atrevimento de lembrar um alvitre de reconhecido proveito, quando praticado. Mas hão-de ver que ninguém se mexe e por fim tudo se limitará a exclamar:

Gememos contribuições?
Dá-nos isso certo abalo?
Talvez não venham p'ro ano,
Nada de pressas, deixá-lo.

Também não nos cansamos mais. Para que sermos mais papistas que o próprio papa?"
[Páginas 7 e 8]
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O Sexteto do Maestro Gaspar

"Continua a abrilhantar os bailes do club, com aplauso geral. É variado e lindíssimo o seu reportório, como sempre magnificamente executado sob a regência do maestro Gaspar, um dos mais provados talentos musicais portugueses.

Os trechos de música que todas as noites o sexteto nos faz ouvir, têm todos a nota musical mais em evidência ou celebrada; nesse número compreenderemos excertos das mais aplaudidas zarzuelas que este inverno passado se cantaram em Lisboa e são adaptadas para sexteto pelo seu distinto regente.

Um bravo ao notável maestro Gaspar e ao seu sexteto e que lá de quando em quando, por entre a música selecta ou d'ópera sempre bem recebida, que não esqueça:

Solo, solo um pedacito
De música que sem audácia
Arranque a um certo compadre
Olé, que viva la gracia.

Os bailes do club não têm lá estado muito animados.

Abundância de senhoras e muitíssima falta de rapazes valsistas.

Durante o dia os nossos hospedes limitam-se a ter como distracções balneares de todos os dias, o mesmo parque, com os mesmos botes no lago e mais coisa nenhuma.

Isto vai muito bonito
Sério e requebrandinho
Vai tudo às mil maravilhas
As Caldas vai de carrinho.

E a D. Iniciativa
Muito e muito descansada
Três vezes nove vinte e sete
Já se vê noves fora nada.

Lá que as Caldas em progresso
Mostra ser um belo facho
Não há dúvida, mas em paga
A sua formosa estação
Ir-se-há p'la água abaixo."

[Páginas 10 e 11]

[Preço avulso: 20 Réis - Editor: Gomes d'Avellar - Impressão: Imprensa moderna Santos & Moreira - Campo de Santa Clara, 144/146 - Lisboa - N.º de Páginas: 16 numeradas + capa em papel de cor - Dimensão: 12,50 x 18,50 cms]

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[Cavacos das Caldas é publicado entre 1896 e 1898. José Gomes de Avelar, politico, jornalista e ceramista é o seu editor e proprietário. Assina com o nome de Belisário. A capa desta pequena brochura reproduz uma ilustração da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro: Zé Povinho e José Gomes de Avelar em alegre cavaqueira.

Gomes de Avelar é o proprietário de uma fábrica de cerâmica, onde Bordalo faz as suas primeiras experiências com o barro caldense.]

Mia Couto - Prémio União Latina

MIA COUTO - 17 DE DEZEMBRO DE 2001 - LOJA 107
(na companhia do gato Gil Vicente)

Parabéns Mia.

O Prémio União Latina, foi hoje conferido ao escritor moçambicano Mia Couto.

14.ª Página Caldense

PLANO DA VILA DAS CALDAS FEITO NO ANNO DE 1742
EM QUE EL-REY NOSSO SENHOR FOI TOMAR O REMÉDIO DOS BANHOS

"Lista das principais pessoas q acompanharão a S. S. Mag.es e Altezas na jornada das Caldas com a demarcação das ruas, e cazas em q assistião".

1 - Porta do Paço del Rey, do Príncipe, e dos Senhores Infantes D. Pedro, e D. Ant.º = Cazas do Dr. Antonio Morª. de Lima, e outras.
2 - Communicação de ambos os Paços.
3 - Porta do Paço da Rainha, N. Srª. e Priceza do Brazil.
4 - Caminho do Coche em q El Rey vai pª o Banho.
5 - Caza feita de novo pª El Rey entrar no banho.
6 - O Exm.º Cardeal da Cunha
7 - O Exm.º Cardeal da Mota com os 3 Secretr.ºs de Estado...
8 - O Duque Estribrº mor...
9 - O Marques Mordomo mor...
10 - O Marques de Marialva...
11 - O Marques de Abantes
12 - O Conde de Unhão
13 - O Conde Baráo
14 - O Conde Apozentador mor...
15 - O Conde de Alvor
16 - O Estribrº mor da Rainha N. Sr.ª D. Diogo de Menezes
17 - O Bisconde de Ponte de Lima
18 - Luis Cezar de Men.es...
19 - D. Aff.º de Noronha
20 - O Conde da ponte...
21 - Ayres de Saldanha...
22 - o R.mº Reformador no Hospício dos P. P.es Arrabidos.
23 - Os R.mºs P. P.es Confessores de S. S. Magestades e Altezas...
24 - o R.mº P.e Confeçor da Rainha N. S...
25 - Caza da Neve = a de Mariana de S.ª no Terreirinho.
26 - O Portr.º da camara de S. Mag.e e Estribr. menor da Rainha N. Sr.ª João X.er da Silva...
27 - O Port.º da Camara da Rainha N. Sr.ª João da S.ª Machado...
28 - O Goarda Damas M.el Viegas...
29 - Caet.º de Andr.e João Lucas de Barros...
30 - Niculao da Cunha M.el e Fr.cº de Andr. e Corvo mossos da goarda roupa de S. Mg.e
31 - João Pedro Ludovice - cazas de João Cravr.º no Rocio
32 - Off.es da Secretaria e portr.º
33 - B.ttº X.er Secretr.º do Ex.tº
34 - O Portr.º das Damas com dois Repostr.os
35 - O P.e Ant.º da S.ª e Pedro da Silv.ª
36 - Pedro Ant.º virgolino, e M.el Loppes da Silv.ª
37 - Dous acolitos p.ª as missas
38 - O Medico da Rainha N. Sr.ª
39 - O Medico de Ser.mº S.r Inf.e D. Ant.º
40 - O Boticario da R.ª n. S.rª
41 - Felix Per.ª Cirurgião
42 - M.el Vieira e outro Companhr.º
43 - O Boticario Del Rey
44 - Seis reposteir.ºs
45 - Mais reposteir.ºs
46 - Mais reposteir.ºs
47 - Armadores e Tapec.rºs
48 - Sevadr.º
49 - O Pad.rº da Rainha N.S.
50 - Mantieiro
51 - o Ben.dº Ant.º Baptista e o P.e Thomas Feyo
52 - Bernardo de Olivr.ª seu Irmão e outros criados
53 - Pª Mantearia , cozinha, oxarias e criados pertencentes a ella.
54 - Mossos da Prata
55 - Mossos da Cadr.ª da Princeza N. S.rª
56 - Assentistas
57 - Pª hu March.te e asouge
58 - Almotace mor...
59 - Os Medicos de S. Mag.e, e o Cirurgião Ant.º Soarez
60 - Pª o R.mº de Alcobaça...
61 - O Dez.º Duarte Salter de Mendonça...
62 - Apozentadores da Corte...

Ruas, praças, igrejas, etc - «Rua nova - Largo do Spirito S.tº - Hospital - Cadea - Fonte - Banhos - N. S.rª do Populo - Volta dos Sinos - Sitio da Caza Real em que assistio a Raynha Fundadora - Rua da Caza Real - Rua da Calçada da Raynha - Praça Velha - Terreiro das gralhas - N. S.rª do Rozario - Rua direita - Rua de Oliveira - Rua dos fornos - Rocio - Encanam.tº da Sahida da agoa dos banhos - Estrada de Obidos - Rua do jogo da bola - Cruz do jogo da bola - Rua do Cabo da Vila - Cruz do Cabo da Vª»
«anno de 1742»

[Autor: João Pedro Ludovice (?) Arquitecto - Fonte: Catálogo da Colecção de Desenhos - Autor: Ayres de Carvalho - Edição: Presidência do Conselho de Ministros / Secretaria de estado da Cultura / Direcção Geral do Património Cultural - Ano de Edição: 1977, Lisboa]


terça-feira, 17 de abril de 2007

Rosas para o Dia Mundial do Livro - Quadras de Fernando Pessoa

Rosa verde, rosa verde...
Rosa verde é coisa que há ?
É uma coisa que se perde
Quando a gente não está lá...

Trazes a rosa na mão
E colheste-a distraída...
E que é do meu coração
Que colheste mais sabida ?

Tens uma rosa na mão,
Não sei se é para me dar.
As rosas que tens na cara
Essas sabes tu guardar...

Levas uma rosa ao peito
E tens um andar que é teu...
Antes tivesses o jeito
De amar alguém, que sou eu.

A rosa que se não colhe
Nem por isso tem mais vida.
Ninguém há que te não olhe
Que te não queira colhida.

Roseiral que não dá rosas
Senão quando as rosas vêm,
Há muito que são formosas
Sem que o amor lhes vá bem.

Dona Rosa, Dona Rosa,
De que roseira é que vem,
Que não tem senão espinhos
Para quem só lhe quer bem?

Dona Rosa, Dona Rosa,
Quando eras inda botão
Disseram-te alguma coisa
De a flor não ter coração?

Floriu a roseira toda
Com as rosas de trepar...
Tua cabeça anda à roda
Mas sabes-te equilibrar.



Fernando Pessoa

[Fernando Pessoa, Quadras,
Edição de Luísa Freire,
Assírio & Alvim,
ISBN972-37-0646-6]