CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



quinta-feira, 12 de abril de 2007

12:ª Página Caldense


Artistas Célebres
Rafael Bordalo Pinheiro


"Dez anos são decorridos desde que a morte ceifou em Rafael Bordalo Pinheiro o mais genial artista português do século XIX, e a sua perda, hoje tão sentida como no primeiro dia desse luto nacional, é cada vez mais irreparável, mais comovedora, mais pungente.

Bordalo Pinheiro era a constituição artística mais completa, mais extraordinária, mais sublime. O seu lápis prodigioso, incomparável, deixou milhares de provas imorredoiras dum talento inconfundível. Um traço bastava-lhe para afirmar um grandioso rasgo de génio. Como, ao sairem-lhe da concepção privilegiada, se admiravam então as suas caricaturas primorosas, admitindo-se hoje e há-de a posterioridade admirá-las, porque todas elas, vincando um facto, gravando uma impressão, revestem, a mais do seu cunho de instantâneo, uma actualidade permanente, que só a Arte, na surpresa dos seus mais recônditos, tem o poder de garantir.

Tais foram as obras primas do Bordalo, que só obras primas deixou. A sua memória triunfará dos século, enquanto as belas artes forem a pedra de toque da civilização humana. Ele mesmo vive em cada uma das suas produções monumentais, que hão-de servir de pedestal ao glorioso padrão do preito público, neste momento em via de perpetuar, materializando-a no bronze, a sua insigne e gigantesca figura.

Pela nossa parte, fazemos os mais ardentes votos porque se não faça esperar essa justíssima consagração que a pátria portuguesa prepara a Bordalo pinheiro, que tanto a engrandeceu e honrou."


Enciclopédia das Famílias, Revista Ilustrada de Instucção e Recreio, 29.º Ano
N.º 338 - Fevereiro de 1915
Editor: Manuel Lucas Torres, Rua Diário de Notícias, 93 - Lisboa

[Folheto com 160 páginas + capa em papel de côr;
dimensões: 11,50x 17 cms]

11.ª Página Caldense

O NOVENTA E TREZ
JORNAL DE COMBATE
N.º 139 - 29 de Julho de 1884 - 3.º Ano

Cabeçalho assinado por Rafael Bordalo Pinheiro

"Agora que a estação calmosa acarreta um grande número de lisbonenses a ir procurar na anemidade das praias e dos campo, refúgio contra o calor e monotonia da cidade, é conveniente indicar aos emigrantes as casa que melhor hospitalidade lhe oferecem.

Por isso, recomendamos, nas Caldas da Rainha uma casa particular na Rua dos Fornos 28, aonde se alugam magníficos quartos com as melhores acomodações."

[2.ª página, a meio da terceira coluna]

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor - 23 de Abril



O DIA MUNDIAL DO LIVRO E DO DIREITO DE AUTOR é comemorado, desde 1996, por decisão da UNESCO, a 23 de Abril.

Dia de S. Jorge, esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas UMA ROSA VERMELHA DE SÃO JORGE (Saint Jordi) e recebem em troca, UM LIVRO.
Nesta mesma data é prestada homenagem à obra de grandes escritores: Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril.
Tendo em atenção:
- que é entre nos que se encontra o único espaço com memória das representações dos autos Vicentinos, foi na na Igreja de Nossa Senhora do Pópulo que Gil Vicente, pela primeira vez, representou perante a Rainha, o AUTO DE S. MARTINHO, em 1504;

- que em 1495, foi impresso em Lisboa, VITA CHRISTI, a mando da Rainha D. Leonor, considerado a primeira obra em língua portuguesa impressa em Lisboa pelo processo tipográfico;

podemo-nos orgulhar que da nossa memória colectiva fazem parte pequenos apontamentos da história do livro em Portugal.

Vamos festejar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, proporcionando o encontro entre os autores caldenses e os seus leitores.

Antecipamos 2 dias a festa, e no próximo sábado - dia 21 (entre as 11,00 e as 13,00) na nossa Esplanada Literária acolhemos escritores e leitores, num convívio centrado no "Livro, discreto amigo, que sempre fala ou se cala conforme eu lhe peça", nas palavras de Calderón de la Barca.

mais uma vez partilharemos leituras com a cidade

1.ª Agenda Cultural


AGENDA CULTURAL - ABRIL DE 2007


Café Literário: dia 13 de Abril (sexta-feira)
Horas: 21.00 H
Local: Café Pópulos, Parque D. Carlos I
Autor Convidado: PEDRO QUERIDO
Apresentação do livro: Folha em Branco [Corpos Editora]


"Não percebia o que havia de extraordinário naquele cenário: falava sozinha? Não falamos todos? Falamos todos. É sabido que falamos sozinhos (os atletas em momentos cruciais falam para eles mesmos, para se acalmarem), mas nem sempre o exteriorizamos em articulações labiais e sons familiares; a isso gostamos de chamar "pensar", mas no fundo, é falar sozinho."




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Café Literário: dia 20 de Abril (sexta-feira)
Horas: 21,30 H
Local: Café Pópulos, Parque D. Carlos I
Autor Convidado: Francisco Moita Flores
Apresentação do livro: A Fúria das Vinhas [Casa das Letras]



"Quem subir ao alto de Vargelas ficará com a certeza de que chegou ao ponto mais belo do céu. O Douro visto daquele píncaro é o Paraíso prometido em todas as lições de catequese. É grandiosamente belo! As montanhas entrelaçam-se, magníficas, para, de repente, se escancararem em vales matizados em toda a paleta de verdes e castanhos que Deus inventou. E pelas encostas, as quintas vão pintalgando de branco o silêncio majestoso por onde o Rio serpenteia."


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Café Literário: dia 27 de Abril (sexta-feira)
Horas: 21,30 H
Local: Café Pópulos, Parque D. Carlos I
Autor Convidado: Lídia Jorge
Apresentação do livro: Combateremos a Sombra [Dom Quixote]


"Deveríamos rir-nos da fragilidade da memória, ou pelo menos sorrirmos das artimanhas do seu esquecimento. Na verdade, decorridos três anos depois da passagem do Milénio, se nos perguntarem o que sucedeu durante essa noite que então tomámos por memorável, pouco mais do que a figura sideral de um fogo-de-artifício em forma de chuva de estrelas a cair sobre o estuário de um rio nos virá à mente. E no entanto, a vida não se passou bem assim."



Contamos consigo

terça-feira, 10 de abril de 2007

10.ª Página Caldense

REGULAMENTO

DO

HOSPITAL REAL

DAS CALDAS DA RAINHA

E

SEUS ANEXOS

APROVADO POR

DECRETO DE 24 DE DEZEMBRO DE 1892





Capítulo V – Clube de Recreio – Anexo n.º 3


ARTIGO 63.º

Este club tem por fim facilitar a convivência entre os banhistas e os forasteiros que concorrem a estas termas, auxiliando quanto possível o bem-estar dos seus assinantes, o que de certo não será indiferente para o bom resultado do tratamento que vem empreender.

Artigo 64.º

A direcção deste club está a cargo do director do hospital real; contudo ele poderá declinar este cargo ao tesoureiro.

§ 1.º - Ao director compete escolher o pessoal menor que deve servir neste club.

§ 2.º - Ao tesoureiro compete fiscalizar todas as receitas e despesas, escriturando-as em livro próprio.

§ 3.º - Ao contador compete fazer todos os apanhamentos para formular a escrituração própria deste club.

ARTIGO 65.º

Na actualidade considera-se como edifício do club a passagem coberta envidraçada, conhecida pelo céu de vidro, e as casas que se acham no mesmo pavimento e que com ela têm comunicação, e de futuro o edifício ou edifícios para este fim destinados.

ARTIGO 66.º

O club abrirá no 1.º de Julho e será encerrado no dia 31 de Outubro.

§ Único – Considera-se época balnear todo o tempo indicado neste artigo.

ARTIGO 67.º

Durante a época balnear os assinantes deste clube têm direito a frequentar as salas e mais dependências do edifício, desde as oito horas da manhã ás doze da noite, tomando em consideração o exarado nos §§ 2.º e 3.º do artigo 72 e no artigo 73.º.

ARTIGO 68.º

Só poderão ser assinantes do club de recreio as pessoas que o tenham sido nos anos anteriores, ou as que foram apresentadas por qualquer assinante, responsabilizando-se pelo bom comportamento do se apresentado.

§ 1.º - As apresentações dos novos assinantes serão feitas por escrito nuns impressos próprios para este fim, assinados pelo representante e pelo representado, e entregues por aqueles ao gerente do club, que imediatamente os afixará em lugar bem visível, recebendo desde logo a quota do assinante proposto.

§ 2.º A proposta estará afixada durante três dias; e, se neste prazo vinte dos assinantes firmarem uma reclamação opondo-se à entrada do assinante proposto, este não poderá ser admitido, revertendo a sua quota em benefício do hospital de Santo Isidoro.

ARTIGO 69.º

O assinante poderá pagar por uma só vez durante uma época balnear a quota de 3$000 réis, tendo o direito de frequentar o club durante todo este tempo.

§ 1.º - Os filhos famílias até à idade de catorze anos poderão ser admitidos, pagando metade da quota estabelecida.

§ 2.º - As senhoras que façam parte da família do assinante, gozam as mesmas regalias que este.

§ 3.º - Os filhos dos assinantes, que tiverem menos de dez anos, só poderão frequentar o club, se tiverem o propósito necessário para não fazer correrias nem algazarras.

ARTIGO 70.º

O assinante deverá apresentar o seu bilhete de assinatura sempre que o gerente lho peça.

§ 1.º - O assinante tem direito de apresentar ao director do hospital real ou a quem suas vezes fizer, qualquer pessoa que esteja no caso de frequentar o club, podendo o apresentado frequentá-lo unicamente dois dias seguidos.

§ 2º - O apresentador por um assinante não poderá ter nova apresentação na mesma época balnear.

§ 3.º - As senhoras quer não tiverem chefe de família, e que estejam no caso de frequentar o club, e o desejem frequentar, pedirão por escrito ao director do hospital real bilhete de admissão, devendo esta requisição ser afirmada por um assinante, que assumirá a responsabilidade da apresentação.

§ 4.º - Quando o director do hospital real for entregue uma reclamação firmada por vinte assinantes, em que se prove que uma qualquer das admitidas nos temos do parágrafo anterior, não ode frequentar o club, o directo convidá-la-á a entregar o bilhete de admissão, ficando o assinante incurso na penalidade a que se refere o artigo 77.º

ARTIGO 71.º

Quando os serviçais do club não cumpram com os deveres para com os assinantes deverão estes dirigir as suas reclamações ao gerente; e, se este não der as devidas providencias, participá-lo-ão ao director.

§ 1.º - Ao gerente só cumpre ordenar os diferentes serviços, fiscalizando a sua execução, não podendo executá-los pessoalmente.

§ 2.º - Ao gerente compete executar e fazer cumprir as ordens que lhe forem dadas pelo director.

ARTIGO 72.º

Sempre que na sala do baile das oito às dez horas da noite houver mais de dez senhoras, serão executadas ao piano peças de música próprias para dança.

§ 1.º - O director do hospital real poderá substituir as músicas executadas ao piano por outras de orquestra ou banda marcial, sem que s assinantes tenham direito a fazer a menor reclamação.

§ 2.º - Na sala grande do club permitir-se-ão concertos musicais, uma vez que os executantes sejam assinantes do club, ou as suas famílias, não podendo a entrada nesta sala ser paga se não quando estas forem dadas em benefício do hospital de Santo Isidoro.

§ 3.º - Os assinantes do club e suas famílias não terão direito de entrar na sala grande e nas duas salas que lhe ficam contíguas, nas quintas feiras e domingos, nos meses de Julho e Agosto, sempre que haja concertos musicais, sem estarem munidos de bilhete especial.

§ 4.º - É expressamente proibido ceder as salas do club, sob qualquer pretexto que não seja o indicado nos §§ 2.º e 3.º deste artigo.

ARTIGO 73.º

Não é permitida a entrada dos assinantes no gabinete de toilete das senhoras.

§ Único – as criadas, que venham em companhia das famílias dos assinantes, poderão permanecer na casa a que se refere este artigo.

ARTIGO 74.º

É proibido aos assinantes levar do gabinete de leitura os jornais que ali se acham.

ARTIGO 75.º

Nas salas destinadas para jogo só serão permitidos jogos de vasa exceptuando-se o écarté.

§ 1º - Cada mesa de jogo pagará 400 réis, sempre que sejam pedidas cartas novas, e 240 réis quando estas forem corridas.

§ 2.º - Haverá uma sala com bilhares, pagando-se na razão de 200 réis por hora, não podendo haver fracções de menos de quinze minutos.

§ 3.º - Haverá tabuleiros para jogos de xadrez, gamão e damas, sendo estes jogos pagos na razão de 40 réis por hora, não podendo haver fracções menores de quinze minutos.

§ 4.º - Os assinantes que sejam encontrados a jogar jogos de azar, pagarão de multa pela primeira vez 2$000 réis cada um, pela segunda o triplo e pela terceira serão excluídos de assinantes, tudo sem prejuízo da lei penal aplicável, devendo o director oficiar à autoridade competente participando o caso e indicando quais os assinantes que delinquíram.

ARTIGO 76.º

O director do hospital real poderá convidar um ou mais assinantes para dirigirem as danças e os concertos musicais.

§ 1.º - Não poderá haver dança que dure mais de trinta minutos, a não ser os cotillons que terão lugar nas quintas-feiras e domingos, podendo estes durar uma hora.

§ 2.º - O intervalo entre estas duas danças não poderá ser inferior a quinze minutos.

ARTIGO 77.º

Sempre que o director do hospital real entender que um assinante tem procedimento menos correcto, poderá oficiar-lhe pedindo com toda a urbanidade para corrigir os seus desmandos; e quando assim não faça, ser-lhe-á proibida a entrada no club.

§ Único – Sempre que vinte assinantes apresentarem uma reclamação, pedindo a exclusão de qualquer assinante, o director do hospital real convidará o assinante a não frequentar o club, e a sua quota reverterá a favor do hospital de Santo Isidoro.

ARTIGO 78.º

O director do hospital real cumpre fazer executar este regulamento, procurando por todos os meios possíveis o bem-estar dos assinantes do club.

ARTIGO 79.º

O pessoal encarregado dos serviços do club de recreio, compor-se-á de: um gerente, um marcador de bilhar, dois criados, um servente, dois porteiros.

§ Único – O pessoal a que se refere este artigo vencerá unicamente durante o tempo que estiver empregado, e os seus salários irão indicados na tabela de vencimentos.

ARTIGO 80.º

O director do hospital real ou quem suas vezes fizer, poderá em caso de reconhecida gravidade levantar auto, e remeter para o calabouço da administração os indivíduos que perturbarem a ordem ou praticarem actos dignos de severo castigo, dentro dos edifícios e propriedades que estão debaixo da sua responsabilidade, enviando para o poder judicial os competentes autos.

Editado em: Caldas da Rainha

Impresso na: Tipografia de Ricardo C. Santos

Ano de Edição : 1893

[Folheto de 10 páginas de 11x16 cms]

segunda-feira, 9 de abril de 2007

9.ª Página Caldense


A ADORAÇÃO DA "VITA CHRISTI" (1495)

"Xilogravura impressa em Portugal, em 1495, a ilustrar a "Vita Christi", livro custeado pela Rainha D. Leonor e impresso por Valentim Fernandes e Nicolau da Saxónia, artistas de origem germânica estabelecidos em Portugal. É provável que tenha sido aberta em Portugal, com a intenção de representar D. João II e a sua mulher, acompanhados por figuras da Corte.

Cada soberano tem diante de si um livro aberto. A presença dos livros funciona como elemento actuante na criação de uma atmosfera de recolhimento espiritual, propícia à leitura da obra que vai seguir-se (a gravura foi inserida no verso da folha-de-rosto, precedendo imediatamente o início da obra). Em segundo plano aparece um globo, que dá, juntamento com os livros, a medida universalizante da cultura."

"Vita Christi" é a primeira obra em língua portuguesa que se executou em Lisboa pelo processo tipográfico."

in: História da Edição em Portugal - Volume I - Das origens até 1536
Artur Anselmo
Lello & Irmãos, Editores - Porto, 1991

domingo, 8 de abril de 2007

8.ª Página Caldense

PORTUGAL CONTEMPORÂNEO
(1.º Volume)


OLIVEIRA MARTINS


Guimarães Editores


Obras Completas
Lisboa
10ª Edição, 1996
ISBN: 972-665-266-9




LIVRO PRIMEIRO
(1826-28)
A Carta Constitucional
3 - Saldanha, o herói
[Páginas 39 e 40]

"Stuart chegou a Lisboa a 2 (Julho) depois de uma longa viagem que protraiu as indecisões, acirrou os ânimos resolutos de ambos os lados, constituiu os corrilhos políticos. Sabia-se que na mala trazia o destino do País; mas um silêncio absoluto, um mistério impenetrável acompanharam emissário. No dia 8 foi para as Caldas, onde a pobre infanta regente sofria tanto do reumatismo, como das insuportáveis cabalas que a Regência e o Ministério urdiam na confusão ainda indeterminável dos partidos que se formavam. (Relations, etc. Stuart a Canning).

Antes de Stuart chegar, já por via de França viera a notícia das medidas tomadas no Rio; mas, ou não se lhes conhecia com exactidão o teor, ou se alterava adrede o que se sabia. O facto é que o próprio ministro Barbacena chegara a informar o general Lobo de que se tratava de uma pura e simples abdicação em D. Miguel, sendo isso participado ao exército. Era corrente que havia uma abdicação e uma CARTA, mas nem o escolhido para a Coroa, nem o texto do novo código se conheciam: daí provinham boatos que faziam de D. Pedro um Anti-Cristo demagógico, e da CARTA uma reprodução da ímpia Constituição de 20.

Transpirou por fim a verdade; e os absolutistas, vendo-se codilhados, declamavam furibundos, ou negavam redondamente, afirmando serem puras invenções dos pedreiros livres as coisas que se diziam, mantendo a versão da abdicação em D. Miguel. Os dias passavam enevoados, indecisos e tristes, como na véspera das trovoadas. Com efeito sentiam-se no ar massas de electricidade política, e de um instante para outro se esperava o fuzilar do primeiro relâmpago.

No Conselho que houvera nas Caldas à chegada de Stuart, a maioria votou contra a publicação da CARTA - uma surpresa! Ninguém a queria, ninguém a pedira. O embaixador da Espanha opunha-se terminantemente. Mas Saldanha, moço ídolo das tropas, já laureado nas guerras dos franceses e nas Américas, e para quem principia agora uma nova história; Saldanha que era o general das armas do Porto, onde as sementes jacobinas ou vintistas germinavam; Saldanha ambicioso e audaz, sabia da verdade dos papéis do Brasil e decidiu-se a intervir com a sua espada, cortando por meio as indecisões das Caldas. Escreve: e como não tem resposta, nem da infanta, nem do ministro Barbacena, envia Pizarro: Se até o dia 31 a CARTA se não jurar, juro-a eu, faço-a eu jurar pelo exército!"
Oliveira Martins

7.ª Página Caldense

OCCIDENTE
REVISTA ILLUSTRADA DE PORTUGAL E DO ESTRANGEIRO
10.º Ano - Volume X - N.º 321 - 21 de Fevereiro de 1887

Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha

"São já bem conhecidas do público os produtos da nova fábrica de faianças das Caldas da Rainha, dirigida pelo notável artista Rafael Bordalo Pinheiro, produtos que Lisboa admirou, na exposição feita o ano passado, nas salas do "Comércio de Portugal" e que actualmente se acham expostas no depósito da mesma fábrica, na Avenida da Liberdade.

A antiga loiça das Caldas, tão preconizada pela sua originalidade, mas que deixava bastante a desejar enquanto a beleza e arte, era susceptivel de melhorar consideravelmente, de se transformar até, dando-lhe uma nova feição, em que a par da melhoria do fabrico, com respeito à sua pureza e finura, se lhe juntasse a arte e o bom gosto.

Pensou nisto Bordalo Pinheiro, e para o conseguir, organizou uma sociedade por meio de acções com o capital de 100:000$0000.

Estava sociedade achava-se organizada, em Junho de 1884, sendo seu gerente o sr. Feliciano Bordalo Pinheiro, que logo partiu para o estrangeiro a adquirir máquinas apropriadas para o fabrico das faianças e a estudar os diferentes sistemas de fornos, uma das coisas mais importantes para a fabricação.

Ao mesmo tempo principiava nas Caldas da Rainha a construção do edifício da fábrica, para o que se compraram por 2:000$000 uns terrenos ao sul da vila, e de extenção de 8 hectares.

Estes terrenos encerram importantes jazigos de argila e tem água abundante de um ribeiro que os atravessa.

A construção e disposição da fábrica revelam logo o gosto que presidiu à obra. Aproveitou-se vantajosamente o acidentado dos terrenos, e construiu-se uma ponte rústica de 90 metros sobre o ribeiro que corta os referidos terrenos, para serventia da fábrica, cujo edifício principal se acha representado na nossa gravura.


Como se vê reuniu-se ali o útil e o agradável. Este edifício, de arquitectura japonesa, está assente no meio de um jardim arborizado, onde se vêm vasos de produção da fábrica.

A construção singela tem toda a elegância e novidade que no nosso país oferece este género de arquitectura, aliás muito bem escolhido, tratando-se de uma fábrica de faianças, indústria de que a China é produtora por excelência.

N'este edificio acham-se as oficinas de loiça artistica e de modelação, havendo também a sala de exposição dos produtos da fábrica.

As outras oficinas destinadas ao fabrico da loiça comum, tijolos, telha e azulejos, assim como três fornos ordinários de tijolo, três ditos tipo português para telha, azulejo, etc., e um grande forno sistema Minton, acham-se dispostos numa área de 2:733 metros quadrados, ligando estas oficinas uma linha férrea de aproximadamente mil metros de extensão.

Todo o tijolo, telha e azulejo, empregados nestas construções foram produzidos na própria fábrica, pelo que se pode calcular o grande alcance desta indústria, que tanto produz a esplêndida loiça artística com que nos encanta, como o tijolo e telha de tão vasto consumo.

O desenvolvimento desta indústria, uma das mais naturais do país, é, pois, assaz prometedora para os capitais nela empregados.

Por um acordo feito entre a empresa e o governo, vai ser estabelecido nesta fábrica uma escola de ensino artístico, tendo uma outra de instrução primária para um determinado número de alunos.

Por isso foi dado pelo governo um subsídio, satisfazendo assim mais economicamente a necessidade de uma escola artística nas Caldas da Rainha."

[Artigo não assinado]


6.ª Página Caldense

AS FARPAS

CRÓNICA MENSAL DE POLÍTICA, DAS LETRAS E DOS COSTUMES

EÇA DE QUEIROZ / RAMALHO ORTIGÃO

As Farpas originais de Eça de Queiroz

Coordenação de Maria Filomena Mónica

Principia, Publicações Universitárias e Científicas

1.ª Edição, Out. 2004, ISBN: 972-8818-40-8

Maio de 1871 [Pág. 23]

"Como tudo é harmónico! Vejam a imprensa. A imprensa é composta de duas ordens de periódicos: os noticiosos e os políticos.

Os políticos têm todos a mesma política:

A – quer ordem, economia e moralidade.

B – queixa-se de que não há economia nem moralidade, o que ele receia muito que venha a prejudicar a ordem.

C – diz que a ordem se não pode manter por mais tempo, porque ele nota que principia a faltar a moralidade e a economia.

D – observa que no estado em que vê a economia e a moralidade, lhe parece poder asseverar que será mantida a ordem.

Os periódicos noticiosos têm todos a mesma notícia:

A – notícia que o seu assinante, colaborador e amigo X, partiu para as Caldas da Rainha.

B – refere que o seu amigo, colaborador e assinante que partiu para as Caldas da Rainha é X.

C – narra que para as Caldas da Rainha, partiu X, seu colaborador, assinante e amigo.

D – que se esqueceu de contar oportunamente o caso, traz ao outro dia: “Querem alguns dizer que partira para as Caldas da Rainha X, o nosso amigo, assinante e colaborador. Não demos fé.” "
Eça de Queiroz



sábado, 7 de abril de 2007

5.ª Página Caldense



OBRAS COMPLETAS DE NICOLAU TOLENTINO DE ALMEIDA
com alguns inéditos
E UM ENSAIO BIBLIOGRÁFICO CRITICO POR JOSÉ TORRES
ILUSTRADAS POR NOGUEIRA DA SILVA
1861
EDITORES - CASTRO & iRMÃO & C.ª
Rua da Boa Vista, Palácio do Conde de Sampaio, Lisboa
[Dimensão: 13x21,50 cms / Obra do Autor: 388 páginas / Ensaio Biográfico e Crítico: Págs. I a LXXXVI / Indice: Págs. I a IX ]

NAS CALDAS DA RAINHA [Págs. 162 e 163]

"Nas Caldas, nas tristes Caldas
Alegria vim buscar;
Quis de noite ver o sol,
Quis achar fogo no mar.

Olhos meus, cansados olhos,
O vosso ofício é chorar
.

Que importa mudar de terra,
E baldados passa a dar,
Se a toda a parte a que os volto
Vai comigo o meu pesar?

Vejo pálidos doentes
Pela copa passear,
Ouço de antigas moléstias
Tristes efeitos contar.

Vejo nas fervidas águas
Mirrados corpos banhar,
E debalde aos surdos céus
Convulsos braços alçar.

Vejo de perdido pranto
Tristes ais acompanhar,
Com as lágrimas alheias
Vou as minhas misturar.

Que importa ver as ninfas belas,
Se acrescentam meu pezar?
Gostam de atrair os olhos,
E as almas tiranisar.

Ao som de feridas cordas
Dão doces vozes ao ar
Quais enganosas sereias,
Que cantam para matar.

Se o meu pobre coração
Se deixa uma vez tocar,
Com escárnios, com risadas,
Meu pranto vejo pagar.

Fartei-vos, pois, olhos meus,
De lágrimas derramar;
Vós nascestes para tristes,
E escolhestes o lugar.

Olhos meus, cansados olhos,
O vosso ofício é chorar."


NICOLAU TOLENTINO DE ALMEIDA







sexta-feira, 6 de abril de 2007

4.ª Página Caldense



Segundo Livro de Crónicas

António Lobo Antunes

Obras Completas

Publicações Dom Quixote

1.ª Edição

Outubro de 2002

ISBN: 972-20-2338-1

NÃO ENTRES POR ENQUANTO NESSA NOITE ESCURA [Pág.37]

[...] "O piloto da barra dos Açores de que ouvias falar, enchendo de naufrágios o teu espanto. E de alciões pairando sobre a espuma. O tio José nas Caldas da Rainha com as algibeiras gordas de migalhas para os cisnes do parque, o bigode que impedia a ternura e as palavras. Fosse qual fosse a tua idade eras tão nova ainda" [...]

3.ª Página Caldense

BELISÁRIO
CAVACOS DAS CALDAS
Publicação Quinzenal * N.º 1 - 15 de Maio de 1896

Sumário
Apresentação . Agradecimento . Revista local . Revista política . Rimas alegres . Variedades
Lisboa - Imprensa Minerva - Santos & Moreira
114 - Campo de Santa Clara - 146
1896

[Apresentação]

"Não nos apresentamos dando-nos ares de querer o mundo, mesmo reformá-lo.

A nossa missão, como não podia deixar de ser é muito mais simples.

Limitamo-nos apenas a observar em modestos Cavacos, o que de mais palpitante, em especial, se for passando nas Caldas da Rainha e sua região, e em geral pelo país. Essa observação ao moldando-se na especialidade que determinámos, louvará indistintamente e sempre, todos os que provada e reconhecidamente beneficiarem as Caldas da Rainha e sua região, censurará não menos indistintamente os que directa ou indirectamente àquele proceder se opuserem.

Eis muito singelamente definido e estabelecido o nosso programa, que cumpriremos como foi nosso propósito, ao realizarmos o nosso humilde empreendimento."

[Agradecimento]

"Ao nosso ilustre amigo Rafael Bordalo Pinheiro, se permite esta redacção a honra de consignar-lhe aqui os seus agradecimentos, pela maneira obsequiosa como notavelmente se dignou aceder a ele, imprimindo a esta publicação o único valor artístico que ela pode ter - a sua brilhantissima colaboração artística."
BELISÁRIO

quinta-feira, 5 de abril de 2007

2.ª Página Caldense

TRATADO PHIZICO-CHIMICO-MEDICO DAS AGUAS DAS CALDAS DA RAINHA
no qual se incorporou a relação da epidemia que pelos fins do ano de 1775 e todo o de 1766 se padeceu no sitio do Seixal, dedicado ao Ilumº. e Exmº senhor Marquez de Anjeja do Concelho de sua Majestade e Presidente do real erário, &c., &c., &c., por João Nunes Gago, médico da Misericórdia, e que substitui o hospital de S. José de Lisboa

Editado em: Lisboa
Tipografia: Tipografia Rollandiana
Ano: MDCCLXXIX [1779] com licença da Real Mesa Censória
Nr. de Páginas: 289 páginas numeradas
Características: Encadernação em pele, lombada com dourados e nervuras
Dimensão: 10x15 cms

- Dedicatória
- Prólogo
- Erratas
- Índice
(Capítulos)
- História do lugar em que as Águas brotam [Páginas 1 a 15]
- Sobre as análises das Águas das Caldas [Páginas 16 a 28]
- Análises das Águas das Caldas da Rainha [Páginas 29 a 56]
- Síntese ou reflexões sobre a análise dada
[Páginas 57 a 116]
- Recompilação [Página 116]
- Sobre as vantagens das virtudes das Águas minerais, quais são estas Caldas da Rainha, sobre os remédios de outra ordem
[Páginas 117 a 123]
- Da virtude medicinal das Águas das Caldas da Rainha
[Páginas 123 a 183]
- Sobre o uso dos banhos do lodo
[Páginas 184 a 186]
- Método de usar das Águas das Caldas da Rainha
[Páginas 186 a 187]
- Da preparação e regime de banho destas Águas
[Páginas 188 a 208]
- Do uso de emborcação das Águas das Caldas da Rainha
[Páginas 208 a 212]
- Quando excede em virtude o uso da bebida ao uso dos banhos das Águas das Caldas da Rainha, para curar as queixas internas
[Páginas 213 a 222]
- Da preparação e regime para a bebida das Águas das Caldas da Rainha
[Páginas 222 a 256]
- Relação da epidemia que pelos fins do ano de 1775 e todo o de 1776, se adoece no sitio do Seixal
[Páginas 257 a 289]
- Catálogos dos livros impressos à custa de Francisco Rolland, impressor livreiro em Lisboa, na esquina da Rua do Norte.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

1ª Página Caldense

A FOLHA DO POVO, Domingo, 2 de Março de 1884
N.º 1107 - 6.º Ano - Cabeçalho assinado por Rafael Bordalo Pinheiro.
Em Março de 1884 é constituída a Sociedade Fabril das Caldas. Em Setembro começa a laborar.

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Comentários:

Ze Ventura disse...

Bem vinda à "Blogosfera", prometo que vou ser um leitor atento.
5 de Abril de 2007 10:34