CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Santo António - 13 de Junho

O Milagre das Bilhas
Barro Vidrado policromo, peça modelada. Representação de Santo António consolando uma jovem que tem a seus pés uma bilha partida.
Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro.
(Catálogo Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro: obra gráfica e cerâmica. MC-CR

Fernando Pessoa
SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.
Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza, Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?

Fernando Pessoa: Santo António, São João, São Pedro. Fernando Pessoa. (Organização de Alfredo Margarido.) Lisboa: A Regra do Jogo, 1986.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Exposição Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro




Exposição Através do Traço
Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro
Galeria do Museu Bordalo Pinheiro
20 de Abril a 14 de Setembro 2013
Museu Rafael Bordalo Pinheiro - Lisboa

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Cerâmicas das Caldas

Vasilhame de Aguardente «Boi de Guiseira»
Fábrica de Manuel Cipriano Gomes Mafra
Caldas da Rainha (Segunda metade do séc. XIX)
Escarrador - Fábrica Bordalo Pinheiro
Jarro de Caça - Fábrica de Manuel Gomes Mafra
Caldas da Rainha - (Segunda metade do Séc. XIX)
Paliteiro - Castiçal
Atribuído a Maria dos Cacos
Caldas da Rainha (Segundo quartel do Séc. XIX)
Terrina
Época Arcaica - Caldas da Rainha
Jarra - Arte Nova
Fábrica de Bordalo Pinheiro
Obra de Rafael Bordalo Pinheiro
Cesto
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, 1899

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Descobrir as Diferenças


A Paródia - nº. 129 - 2 de Julho de 1902 - 2.º Ano
Convénio
Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro
[A dívida externa dá a extrema unção ao país]

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Bruxelas quer avançar com imposto europeu

"Scena no Guichet de uma repartição de fazenda:
- Que deseja?
- Pagar a contribuição...
- Que massador!"

Paródia, Comédia Portuguesa, n.º 54 - 21 de Janeiro - 2.º Ano - 1904
Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Jardim Bordallo Pinheiro

Jardim Bordallo Pinheiro
O bando das andorinha, o gato assanhado, os lagartos
abelhas, lagosta, cavalo marinho
lobo
cavalo marinho, caranguejo
cogumelos
o lobo e o gru
painel cerâmico
gato assanhado
prato de girassóis com abelhas
lagarto grande
cada macaco no seu galho
abelhão
caracol
enxame de abelhas
lagosta, mexilhões, peixinhos vermelhos, ostras, enguias
lagosta, ostra, rã, lagartixa, caranguejo, tartaruga
folha
cavalo marinho
cavalo marinho (pormenor)
prato com lagosta e mexilhões
lobo a uivar
gato em posição alerta
painel de azulejos com gato com coleira e guizo
lagartixa num tronco
cobra
abelhão
abelha
caranguejos, lapas, mexilhões, rãs
tartaruga
caranguejo, berbigões, rãs, abelha