CAVACOS DAS CALDAS II

DICIONÁRIO GRÁFICO BORDALIANO

alguns livros, cerâmicas, belos gatos e algo mais...



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sábado, 11 de outubro de 2008

Novo Blog de Livros


Saudamos a vinda à blogosfera de uma autora de literatura dedicada aos mais novos:
Carla Maia de Almeida. Recomenda-se a visita ao blog:

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Luiz Pacheco

O TEODOLITO
LUIZ PACHECO

[O Teodolito e a Velha Casa. Autor: Luiz Pacheco. Edições Rolim. Colecção: A Hora do Lobo, n.º 6. Deste livro acabdo de imprimir a 10 de Setembro de 1985 para Edições Rolim por Minigráfica, fez-se uma edição de 1000 exemplares, com uma tiragem especial de 200 exemplares numerados e autografados pelo autor. Exemplar n.º 13.]

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Leituras - Almada Negreiros

O LIVRO

"Entrei numa livraria.Puz-me a contar os livros que ha para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria.

Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido.

No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas muito bem vestidas de quem precisa salvar-se.

***

Comprei um livro de filosofia. Filosofia é a sciencia que trata da vida; era justamente do que eu precisava - pôr sciencia na minha vida.

Li o livro de filosofia, não ganhei nada, Mãe! não ganhei nada.

Disseram-me que era necessário estar já iniciado, ora eu só tenho uma iniciação, é esta de ter sido posto neste mundo á imagem e semelhança de Deus. Não basta?

***

Imaginava eu que havia tratados da vida das pessoas, coomo ha tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim parecidos com o tratamento que ha para os animais domesticos, não é? Como os cavalos tão bem feitos que ha!

Imaginava eu que havia um livro para as pessoas, como ha hostias para cuidar da febre. Um livro pequenino, com duas páginas, como uma hostia. Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com a morada e o dia." [Página 11]

AS PALAVRAS

"O preço de uma pessôa vê-se na maneira como gosta de usar as palavras. Lê-se nos olhos das pessoas. As palavras dançam nos olhos das pessôas conforme o palco dos olhos de cada um."[Página 19]

[A Invenção do Dia Claro. Escripta de uma só maneira para todas as espécies de orgulho, seguida das démarches para a Invenção e acompanhada das confidencias mais intímas e geraes - Ensaios para a iniciação de portuguezes na revelação da pintura - com um retrato do autor por elle-proprio- primeiro milhar. Lisboa "Olisipo" Apartado 145. 1921. Almada. Edição fac-similada Assírio & Alvim. Maio de 2005. ISBN 972-37-0969-4.]

terça-feira, 8 de julho de 2008

Comércio e Cultura

ORGANIZEM-SE!
A GESTÃO SEGUNDO FERNANDO PESSOA

"A actividade comercial chamada comércio, por mal vista que esteja hoje pelos teoristas das sociedades impossíveis, é contudo um dos dois caracteristicos distintivos das sociedades chamadas civilizadas. O outro característico distintivo é o que se denomina cultura. Entre o comércio e cultura houve sempre uma relação intíma, ainda não bem explicada, mas observada por muitos. É, com efeito, notável que as sociedades mais proeminentemente se destacaram na criação de valores culturais são as que mais proeminentemente se destacaram no exercicio assíduo do comércio. Comercial, eminentemente comercial, foi Atenas. Comercial, eminentemente comercial, foi Florença.

A relação entre os dois fenómenos é ao mesmo tempo de paralelismo de causa e efeito. Toda a vida é essencialmente relação, e a vida social, portanto, é essencialmente relação entre os indivíduos, quando simples vida social; e entre povos, quando vida civilizacional. [...] Segue que uma sociedade com um alto grau de desenvolvimento material e mental e, portanto, com um alto desenvolvimento da vida de relação, forçosamente será altamente comercial e altamente cultural, paralelamente." [Página 104/105]

Fernando Pessoa

[Organizem-se. A Gestão Segundo Fernando Pessoa. Edição de Filipe S. Fernandes. Oficina do Livro. 1.ª Edição Outubro de 2007. ISBN 978-989-555-315-0]

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A carta que Luiz Pacheco me escreveu



"Palmela, 5 de Abril de 1999
Dona Maria Isabel Castanheira - tenho aqui à m/ frente o Gil Vicente. Não é o do Pranto da Maria Parda, essa bêbada. Mas o gato da Loja 107 em foto, ao colo da Hélia Correia.
E aí está! - vou mandar-lhe daqui a dias, talvez ainda esta semana, um exemplar de Villa Celeste, uma edição minha. A Hélia falou-me na sua livraria, para um lançamento caldense. Já não sei onde fica a sua casa. Não é do meu tempo caldense, que vai de 1927 a 1968, + ou -. Morei na General Queiroz, na Bordallo Pinheiro, junto do Parque e na Estrada do Coto (?), casa dos Badejas. Nos anos 60 havia uma livraria na rua das Montras (o rapaz morreu, doença do coração) aí em 1966, 67. E uma livraria na Praça, que passou para a FRAMI (o - um dos, o Rogério - Caiado até é meu compadre).

Seja como for. Pela confiança que a Hélia Correia demonstrou com o Gil Vicente, creio que lhe será grato (além do mais) receber o livro e cooperar no lançamento. A Hélia disparou para o estrangeiro, em férias pascais, eu ainda não lhe disse nada, aqui fica o meu pedido. Mais: tenho nas Caldas umas dezenas de amigos. Um tinha. Morreram dois: o dr. António e o irmão, o dr. Custódio Maldonado Freitas (ainda conheci o velho Freitas, que me dava injecções de cálcio Sandoz no rabo).

A minha editora, Contraponto, vive de assinantes por todo o País. Apenas ponho (e poucos) livros em meia dúzia de livrarias (Lx, Coimbra, Porto).

E estou num LAR DE IDOSOS e sem forças para ir combater no Kosovo... Mas queria que o bonito livro da Hélia chegasse ao maior número possível de leitores. Ela (apenas a vi, aqui, e foi quando ela alvitrava o lançamento aí) pareceu-me tímida, acanhada, com exagerados escrúpulos de julgarem que se está a impingir. Isto é: de se parecer com algumas damas literatas (catatuas, lhes chamo) que se pavoneiam por todo o lado e estão em todas (a Dona Lídia Jorge por ex.). Não será o caso, mas há um mínimo de esforços a fazer para quebrar aquela barreira de silêncio que se instala por inércia nossa.
Os meus cumprimentos."
Luiz Pacheco

terça-feira, 27 de maio de 2008

Liberdade

Fernando Pessoa
André Carrilho


[João Paulo Cotrim. André Carilho O Rosto do Alpinista. Assírio & Alvim / El Corte Inglés. 1.ª Edição, junho de 2007- Tiragem 2500 Exemplares. ISBN 978-972-37-1235-3]


Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.

Livros são papéis pintados com tinta,
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música,, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

sábado, 1 de março de 2008

O Gato da Rosário


"Sete anos me aguardam de incertezas. O gato gordo,
sobre o muro, é apenas uma figura transitória. Tu vais
ficando, um livro abandonado no melhor
do enredo, aberto para sempre sobre a cama. Eu

sento-me à janela onde houve uma vez uma figueira.
E fico. Aguardo provavelmente a tua voz no silêncio
demorado dos quartos ao entardecer. E também adomeço,
se não for a memória do ruído ensurdecedor dos
espelhos, rebentando pela casa em mil pequenos cacos
incertos. Sete anos

para reler uma história demasiado conhecida ou
folhear um livro branco até ao fim. O gato já
desapareceu. Digo que escolhe, como tu, outra
cama para desafiar a lua. Eu não, eu eu fico."

Maria do Rosário Pedreira

[A Casa e o Cheiro dos Livros. Maria do Rosário Pedreira. Gótica. Colecção Poesia. 1.ª edição 1996.
Prémio Poème e prémio Maria Amália Vaz de Carvalho. ISBN 972-792-044-6]]