Partilhando leituras

Livros sobre Caldas da Rainha, Rainha D. Leonor, Bordalo Pinheiro, caricaturas,

cerâmicas, gatos e algo mais...

domingo, 30 de novembro de 2008

Café Literário

A FÁBRICA DE FAIANÇAS DAS CALDAS DA RAINHA

Autores: Rafael Salinas Calado, Isabel Fernandes, Cristina Horta e Elsa Rebelo


A apresentaçãpo deste livro terá a participação do Dr. João B. Serra e do Arq. Rodrigo de Freitas. Estarão presentes as autoras: Cristina Horta e Elsa Rebelo.

Dia 6 de Dezembro de 2008 - sábado

Café do Centro Cultural e de Congressos - 17,00 Horas

"Um livro escrito por quatro especialistas em História da Arte e em faianças. Neste livro é analisada a história da famosa fábrica de faianças que produziu as populares peças de Bordalo Pinheiro. São também analisadas as caracaterísticas da louça das Caldas e o processo de fabrico e técnicas de cozedura e moldagem."

Esplanada Literária


INÊS DE BARROS e VERA PYRRAIT
estarão presentes na nossa Esplanada Literária no próxima dia 6 de de Dezembro (sábado) pelas 11,00 Horas para apresentação dos seus livros dedicados a jovens leitores.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

329.ª Página Caldense

MALHOA BORDALO
Confluências duma Geração

[...] "Apesar de ter trabalhado para inúmeros jornais e revistas em Portugal, em Inglaterra e no Brasil, teve necessidade de criar os seus próprios jornais para poder gozar inteira liberdade de actuação. Nos jornais, os seus desenhos constituem a maior atracção, tomando conta das páginas, obrigando o leitor a dar-lhes atenção, pela crítica mordaz aos acontecimentos e personagens do tempo, desafiando os poderosos e as convenções, mas sobretudo pela expressão contagiante das suas composições." [Pág. 44].
Luisa Arruda

[Malhoa Bordalo. Confluências duma Geração. 150 anos do nascimento de José Malhoa / Centenário da morte de Rafael Bordalo Pinheiro. Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha. Exposição Comissariado. Matilde Tomaz de Couto e Cristina Azevedo Tavares. 1.ª Edição, 2005. ISBN 972-776-277-8.]

328.ª Página Caldense

O CERAMISTA
RAFAEL BORDALO PINHEIRO

"[...] Estas características, que fazem de Rafael Bordalo Pinheiro um grande espírito, tornaram-no também um dos espíritos mais criativos artistas do final do século XIX em Portugal, na variedade de facetas que marcam sua trajectória de desenhista, pintor, jornalista, caricaturista e ceramista."

Emanoel Araujo (Director da Pinacoteca do Estado)

[Rafael Bordalo Pinheiro o Português Tal e Qual , O Ceramista 1884 - 2005. Pinacoteca do Estado. de S. Paulo. Brasil. 2 de Julho a 4 de Agosto de 1996. Curadoria: Paulo Henriques. Ensaios: João Bonifácio Serra, Paulo Henriques e Eduardo Salamonde.]

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pequeno escrito em redor de umas ilustrações Bordalianas

O caso da jarra que antes de ser já o era, ou o “cotillon” [1]batraquiano

Chiquérrimo, é o mínimo que se pode adjectivar.

Um quimono de seda estampada, de um luminoso verde seco, contrastado por grandes crisântemos em plena floração, envolve-o.

Elegantemente traçado, as pregas caem com suavidade em torno da sua bem acentuada rotundidade.

Notáveis as suas socas, num discreto tom níveo e de uma altura a exigir um contínuo exercício de instável equilibrismo.

E ainda não fizemos referência ao carrapito, apanhado no alto do cocuruto da cabeça e enfeitado com qualquer coisa de semelhante a um carapuço encimado por uma bolinha amarela de onde parte uma pequena e frágil pena.

Repete-se: chiquérrimo, é o mínimo que se pode adjectivar.

Um pormenor de não somenos importância: a fulgurante visão de uns tornozelos bem torneados, sob uma pequena prega do quimono que descai em jeito de cauda.

Quem, senão ele, o grande senhor da sátira e da caricatura, Mestre Rafael Bordalo Pinheiro?

Rafael apresenta-se distintíssimo, primoroso e elegantíssimo na capa do “Almanaque do António Maria para 1882/1883”.

Não está sozinho; acompanha-o, de um lado, Guilherme de Azevedo[2] que enverga um quimono em tons de vermelho e que num toque de grande distinção, se abanica com um colorido leque em forma de coração.

Do outro lado, o seu filho Manuel Gustavo,[3] com um ar ligeiramente comprometido, observa-nos de revés. Alto e magro, veste o seu quimono com a elegância profissional de um manequim.

A marcar o desenho, cortando-o diagonalmente, um grande pincel, a mais eficaz ferramenta de trabalho de Rafael.


Constituem o grupo perfeito a convidar-nos a folhear sem pressas este Almanaque, cuidadosamente impresso na Tipografia da Empresa Literária Luso-Brasileira. Acedendo ao convite, viremos então as folhas amarelecidas pelo tempo, à descoberta de algo que nos surpreenda.

Logo ali, na página de rosto, uma ilustração que nos apanharia em flagrante incredulidade, se não conhecêssemos Bordalo como já o conhecemos.

Rafael, políticos e gatos; muitos gatos. Quais sombras chinesas os desenhos surgem a negro sobre um fundo incolor.


Enquanto Bordalo empunha o seu terrível pincel, pronto a desenhar tudo e todos, as restantes figuras como que deslizam ao longo da página num enquadramento harmonioso.

Nota-se um pequeno gato – será ele um Pires? – a saltar na ponta do pincel de Bordalo, numa atitude provocatória, como que a incentivá-lo a escrever, a ilustrar, a ridicularizar, a satirizar e a gracejar com o mundo que os rodeia.

Mais umas páginas adiante, percorremos os diferentes meses do ano, ilustrados com desenhos alegóricos e eis-nos chegados ao mês de Julho.


Eis a surpresa! Que mês este! O mês das Caldas!

Ao centro, em traço ténue a silhueta de Augusto Maria Fernando Carlos Miguel Gabriel Rafael Agrícola Francisco de Assis Gonzaga Pedro de Alcântara Loyola, Sua Alteza o Infante D. Augusto que, no dizer de Rafael Rimuito, [4] “Nasceu, … É infante e General.”[5]

Habitual visitante das termas da moda, Rafael realça essa ligação caldense da real figura.

Ao cima da página, a dança da bicharada: lagartos, lagartixas, rãs, sapos, frente a frente marcam o passo com acerto.


À esquerda, um jarrão tipicamente caldense decorado com uma esguia cobra – espreguiçando-se ao longo do bojo - uma rã e uma parra; na tampa, em sono profundo e enroscada sobre si mesma, outra cobra.

Em baixo, um prato musgado onde é visível mais uma cobra e outro lagarto.

À direita, um grande vaso, de largo bocal, e em cujo bojo se encontram inscritos os diferentes dias do mês e respectivo padroeiro religioso. A finalizar, uma cobra move-se ao longo da página contornando o bocal e parando ante a palavra Caldas.

Sentir-se-á fascinada pela importância da terra ou simplesmente cansada de tanto deslizar?


À data em que este Almanaque é publicado, Bordalo faz a sua vida por Lisboa, publica “O António Maria”,[6] visita a Livraria Bertrand, mostra-se nas vernissages artísticas, passeia-se pelo Chiado, compra os seus charutos na Havaneza, almoça no Zé das Caldeiradas, frequenta os teatros, elogia “les silhoutes” elegantes das artistas, faz a corte às prima-donas do belo canto e tem como particular “amigo” e manancial inspirativo, o todo poderoso Fontes Pereiro de Melo, que semanalmente caustica nas páginas do seu jornal.

Bordalo ainda não se tinha feito oleiro nas Caldas. No entanto faz cerâmica desenhada.

Somos avassalados por uma tremenda dúvida; ter-se-á Bordalo inspirado nas formas cerâmicas já existentes, ou projectou as formas que mais tarde haveria de modelar no plástico barro caldense?

Não nos interessam as explicações, sejam elas quais forem; interessa-nos sim que Rafael Bordalo Pinheiro, sempre “avant la letre”, lapisista exímio, oferece-nos, para nosso deleite e contentamento, o exemplar único de uma jarra bichada que antes de ser já o era.



Isabel Castanheira, na companhia de um forasteiro e do gato Pires, expressa a sua profunda admiração pela obra do Mestre

[1] Cotillon, dança muito em moda nos serões sociais do club das Caldas da Rainha, nos finais do séc. XIX.
[2] Guilherme de Azevedo, jornalista e poeta, colaborador d’O António Maria (30 de Novembro de 1839, Santarém – 6 de Abril de 1882, Paris, França).
[3] Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, ilustrador, caricaturista, ceramista, industrial, professor, filho de RBP (20 de Julho de 1867 – 8 de Setembro de 1920).
[4] Pseudónimo utilizado por Rafael Bordalo Pinheiro na escrita de alguns textos do Álbum das Glórias.
[5] Álbum das Glórias, Março de 1882; Infante D. Augusto (1847-1889), filho de D. Maria II e D. Fernando.
[6] O António Maria, 1.ª Série, publicado entre 12 de Junho de 1879 e 21 de Janeiro de 1885.


Nota: este texto integra o catálogo, "Bordalo Contemporâneo e Contemporâneos com Bordalo", exposição Na Galeria Nova Ogiva, em Óbidos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Café Literário

À conversa com:
Professor Dr. Mário Bernardo
A Mama - Saúde e Doença


Maria Fernanda Romba
Autora do livro: O Meu Caranguejo e Eu

Local: Cheap n'Chic Café do CCC das Caldas da Rainha
22 de Novembro de 2008 - 16,30 Horas

O Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, em colaboração com o CCC, a Loja 107, e o Laboratório Eustrazeneca, convida V. Exª. a participar neste Café Científico-Literário, integrado nas actividades de sensibilização para a importância da detecção e tratamento precoce do cancro da mama.

Contamos com a sua presença

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Conversas no CCC


O Zé Povinho do Apito, informa:

A Maria dos Pontos nos ii (também conhecida por Maria da Paciência) tem o grato prazer de informar que organizou um passeio pelo Parque D. Carlos I, na companhia do seu patrono Rafael Bordalo Pinheiro.

O local de encontro será no café do CCC no próximo dia 20 - quinta feira - pelas 21,30 Horas.

Aconselha-se a utilização de agasalhos, dado que se prevê uma ligeira friagem, bem como calçado confortável, porque o passeio será longo.

Todos serão bem vindos a este passeio imaginado, que nos conduzirá às Caldas da Rainha de outros tempos.

Não se torna necessária incrição prévia, nem bilhete.

Café Literário

Café Literário
Autor Convidado: Prof. Dr. Daniel Samapaio
Apresentação do livro: A Razão dos Avós
Local: Café do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha
Dia 18 de Novembro, terça feira, pelas 21, 30 Horas